Sábado à noite
Ouço muita agitação lá fora, na rua. As pessoas falam alegremente, riem despreocupadas, buzinam algumas cheias de pressa, pressa de viver. Outras cantam e dançam, já de si embriagadas, a noite ainda só agora começou.
É sábado. Toda a gente se prepara e se arranja para sair. Uns vão jantar fora, outros vão ao cinema, shopping, entre outros programas já combinados antecipadamente e ansiosamente esperados. Parece que ao sábado à noite toda a gente tem um programa, menos eu.
O sábado é o dia que me custa mais a passar, é o dia em que me sinto mais sozinho. A televisão, em parceria com a noite que ainda é uma criança para alguns, não transmite nada que mereça a minha atenção. Prefiro que esteja desligada, os barulhos que faz ecoam na minha cabeça e faz-me sentir pior.
A solidão dói, dói muito. Vai arrancando à força cada pedaço da nossa alma, aos poucos, fazendo-nos sofrer sempre mais, até ao dia em que não há mais matéria para arrancar. Temo o dia em que irei sentir-me vazio, oco, desprovido de sentimentos. Só a solidão permanecerá.
E se eu chora-se, aliviava? Não consigo, a solidão já me arrancou as lágrimas, secou-as.
