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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Abr16

O pão integral é só para gordos?

Filipe

Gosto muito de comer pão integral, pão de sementes, centeio, pão de mistura, etc. Para além de ser mais saudável, tem pouco sal e é rico em fibras, muito saboroso! Gosto de o comer pela manhã, com manteiga, juntando o café com leite quentinho. Faz sempre parte do meu pequeno almoço, a refeição mais importante do dia.

 

Certo dia fui à padaria e pedi dois pães integrais. Uma senhora que estava ao lado, ouvindo a conversa, intrometida logo disse: "Pão integral?! Tu estás muito gordo para comer pão integral, deixa-te estar!" - logo seguido de um riso de troça.

Fiquei intrigado com tal comentário da senhora, porque ela nada tinha a ver com as minhas preferências, penso que ainda sou livre de comer o pão que quero, digo eu! Podia lhe responder isso mesmo, mas não valia a pena, não perco tempo a discutir opiniões com pessoas que têm uma certa inclinação para a ignorância.

 

Em vez de uma resposta azeda, simplesmente disse: "o pão integral não é só para gordos! O pão integral é para ser consumido por pessoas que se preocupam com a sua saúde, pois é mais rico em fibras, o que melhora o funcionamento do nosso organismo!

A senhora que me atendeu na padaria disse que eu tinha toda a razão e a tal senhora do comentário indesejável calou-se e nada mais disse.

 

Fui para casa com uma ponta de orgulho de mim próprio e contente por saborear pão fresco, integral claro está! Pois este não é só para gordos, não concordam?

 

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18
Abr16

Trabalho ou arte?

Filipe

Eu adoro aquilo que faço! Sou empregado de mesa, uma profissão que não é tão valorizada no nosso país, mas que tem imensa importância.

 

Infelizmente, com o tempo que tem feito, não tenho tido tanto trabalho como gostaria. No entanto, daqui a umas semanas virá o tempo mais quente e aí a coisa vai mudar, assim espero.

 

Um empregado de mesa não é só aquele rapaz que serve a comida e está sempre disponível com um sorriso, de travessas fumegantes nas mãos, que é chamado com um simples "psst" ou até mesmo "ó chefe". Aquele que leva com as reclamações quando a comida não está ao gosto do cliente, pois não é o empregado de mesa que cozinha, mas é o que dá a cara pela empresa.

 

Atrevo-me a dizer que um empregado de mesa é quase como um artista. Toda a arte de decorar uma mesa tem o que se lhe diga! São os pratos, os copos que devem estar sempre do lado direito, o gaurdanapo a condizer com a toalha de mesa, os vários talheres e a sua ordem de uso e por aí em diante.

 

Que tal vos parece? Devo ser considerado um artista?

As imagens seguintes são fotografias de uma mesa decorada por mim ontem.

 

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16
Abr16

Enganos

Filipe

Ontem estava a ler este post do blog da nossa querida Chic'Ana, onde ela relata uma situação que acontece a qualquer um: os enganos nas chamadas telefónicas.

Falo daqueles que vão para além do "ah desculpe então foi engano...". Autênticos insólitos!

Hoje decidi partilhar, também eu, uma dessas histórias que me aconteceu aqui a algum tempo atrás.

 

Fui a casa de uma amiga minha e, quando regressava, eis que o meu telemóvel tocou. Atendi sem olhar para o visor onde me informava quem me estaria a ligar.

Mal atendi, ouvi uma voz do outro lado da linha que me gritou: "Tu não vens comer?!".

Pensei que era a minha mãe, embora a voz dela não parecia a mesma, e respondi um "vou já" e acelerei mais o passo, pois já estava atrasado para o jantar.

 

A senhora continuou: "é sempre a mesma coisa! Enfias-te no café, e fica aqui a comida a arrefecer e deves pensar que sou tua criada!! Estou a ficar farta disto!".

Nessa altura vi logo que não era a minha mãe e disse: "Desculpe, mas acho que a senhora enganou-se no número..."

"Mas tu ainda estás a gozar comigo?! Aviso-te já Manuel, se tu não estás em casa daqui a 5 minutos, esta noite dormes na rua!!".

E desligou a chamada na minha cara.

 

Momentaneamente fiquei sem saber o que fazer, se deveria ligar de volta dizendo que ela se tinha enganado no número ou tentar de alguma forma resolver a situação. Mas, sinceramente, não estava para me chatear. Ela foi bastante mal educada e mesmo eu dizendo que se tinha enganado me acusou de estar a gozar com ela!

 

Ri-me imenso depois disso e fui para casa, contando o episódio à minha mãe, que logo me disse que não me tinha ligado. Nem o jantar estava pronto

 

 

15
Abr16

No Centro de Emprego

Filipe

A convocatória chegou na semana passada, uma carta com o selo verde do Centro de Emprego, informando a minha mãe que teria de se apresentar na instituição no dia 14 de Abril a fim de mostrar os carimbos que ao longo destes 3 anos de desemprego a minha mãe reuniu, comprovando de que realmente ela mantém a procura ativa de trabalho.

 

A convocatória exigia a presença da minha mãe para as 14h. Chegamos lá meia hora depois, atrasados, pois não conseguimos chegar mais cedo. Não houve problema, várias outras pessoas aguardavam a sua vez, de pasta na mão, outras com apenas uma mica, para serem atendidas para o mesmo fim. A chamada era por ordem de chegada, vi que esta história toda iria demorar imenso tempo e arrependi-me de não ter trazido pelo menos um livro para me entreter.

 

Sentamos-nos numa das poucas cadeiras que restavam. Ouve-se um telefone a tocar, a senhora atendeu e disse que ainda iria demorar, ou não estivesse ela no centro de emprego! Uma criança desfilava por entre todos e sorria alegremente por ter todas as atenções postas nele. Dizia que o Porto era o maior e que logo jogava o Braga.

"Ele já devia estar a dormir, mas tenho que estar aqui... vai ficar aborrecido e depois ninguém o atura!" - disse a mãe do menino. Deu-lhe uma bolacha para ele roer enquanto esperava.

 

O segurança chamou por mais duas pessoas, a senhora 'Maria' e o senhor 'Joaquim', que entraram numa porta lateral, seguidos por este. Mais pessoas chegavam e o segurança mandava-as aguardar.

 

"Estou a ganhar apenas 200€ que mal chega para pagar a minha renda de casa e ainda tenho que andar sempre aqui para trás e para a frente, estou farta disto" - desabafou outra senhora - "Estou velha para trabalhar e sou nova demais para a reforma!".

 

"Isto é uma vergonha!" - disse um outro senhor, um pouco indignado - "se ao menos nos chamassem para trabalho! Mas não, é só para mostrar isto! É uma vergonha... mas a culpa é desses políticos".

 

"Olhe que não vamos para melhor com estes também!".

 

"Conheço muitos colegas meus - continuou o senhor indignado -, licenciados em médicos e advogados, que tiveram que emigrar porque aqui não têm emprego! É uma vergonha!"

 

A senhora 'Maria' sai pela porta lateral. Já está. "A senhora nem sequer viu um carimbo sequer! Nem os tirei da pasta... Andei a gastar 5€ na camioneta para nada!"

 

"Olhe eu gastei mais" - disse a D. Alice - "Fiz mais de 20 km para estar aqui!".

 

A senhora 'Maria' encolhe os ombros resignada. Despede-se com um "Boa sorte para todos" e vai à sua vida.

Mais duas pessoas são chamadas.

 

"Eu nunca pensei estar nesta situação!" - diz o senhor 'Manuel', um senhor de bigode, rugas marcadas no rosto de uma vida dura de trabalho - "trabalhava na empresa há mais de 30 anos e de repente, entrou em insolvência e viemos todos embora. Estou há mais de um ano para receber os meus direitos!"

 

A D. Alice responde "eu já estava há 14 anos e não queria nada isto, estava lá tão bem! A empresa onde eu trabalhava também entrou em insolvência, mas nós já recebemos tudo. Agora estou é à espera de receber o subsídio de desemprego há 5 meses! Ainda não recebi nada! Tive que meter os papeis todos outra vez porque a segurança social disse-me que não sabiam deles!!"

 

Entretanto, a minha mãe foi chamada e o meu tempo de espera já foi curto. Bebi um chocolate quente da máquina disponível e esperei pacientemente, ouvindo desabafos daqui e indignações dali.

Portugal no seu melhor, atrever-me-ia a chamar.

 

Os nomes constados nesta publicação são fictícios, mas as histórias são bem reais. Histórias de pessoas que se vêm obrigadas a cumprir à risca todas as normas do IEFP para que, no mínimo, recebam, alguns deles, aos tais 200€ por mês.

14
Abr16

A tragédia de Entre-os-Rios

Filipe

Foi a 4 de Março de 2001, num dia chuvoso de final de inverno, que pelas 21:10h um dos pilares da Ponte Hintze Ribeiro, que fazia a ligação entre Sardoura (concelho de Castelo de Paiva) e Entre-os-Rios, ruiu e fez colapsar a ponte de 300 metros, roubando assim a vida a 59 pessoas. Um dos maiores acidentes em Portugal, há 15 anos atrás.

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No tabuleiro da ponte circulavam três automóveis ligeiros e um autocarro, que regressava de uma excursão às amendoeiras em flor, com 53 pessoas, várias delas da mesma família.

 

23 mortos foram sepultados. 36 cadáveres nunca apareceram.

 

Não pude deixar de partilhar as fotos e os sentimentos que tive quando recentemente visitei o lugar onde decorreu esta grande tragédia que abalou todo o concelho.

 
Uma nova ponte foi erguida, alta, majestosa, como se de um presente se tratasse, tentando fazer esquecer que ali, nesse mesmo sítio, existiu uma outra ponte, velha, que ruiu e provocou uma grande tragédia.

 

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Ainda se vê, nas extremidades, o pouco que restou da ponte velha, fatídica.

 

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Junto a essa ponte, foi colocado um anjo enorme, quase a tocar o céu, que chora, de lágrimas nos olhos. Talvez alusivo a um anjo da guarda, que não valeu de muito às vítimas que perderam a vida nas águas frias do rio Douro.

 

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Nesse lugar, foi construído um monumento em homenagem a todas as vítimas. Lá, podemos ver fotografias e o nome de todas as pessoas que lá deixaram a sua última morada, e o respetivo castiçal onde velas acesas iluminam o espaço.

 

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Uma última mensagem emocionante de um familiar. Não podia deixar de partilhar.

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Um silêncio sepulcral impõem-se neste lugar. Não se sai de lá de ânimo leve, mas sim com um peso no coração, um nó na garganta. Imaginamos o medo, os rostos desesperados, os gritos de aflição. O último fôlego de ar. A luta pela vida. A morte. Sentimos a morte ali, nua e crua.

 

E eu que me queixo de tantas coisas, que me queixo da minha própria vida, sinto-me um ser insignificante perante tal atrocidade. Essas pessoas é que sofreram, elas é que sentiram o verdadeiro medo, o grande desespero. A vida a fugir-lhes. Nada poderiam fazer.

Somos autênticas marionetas da vida.

 

A vida continua e o rio segue o seu curso.

 

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13
Abr16

O Filipe em 364 palavras

Filipe

Nasci no ano de 1986, num dia de maio, o mês do coração, diz-se. Cresci numa pequena aldeia, um meio rural, onde as pessoas trabalham de sol a sol, nos campos, na labuta, na cuida dos animais, para ganhar o seu sustento. Acordava com o chilrear dos pássaros e deitava-me a ouvir o canto dos grilos.

 

Sempre mostrei um grande gosto pela escola, pelo conhecimento. Era bom aluno, fazia por isso. Sentava-me nas escadas e lia em voz alta para os transeuntes, elogiavam-me sempre dizendo que lia tão bem! E eu, embargado, lia-lhes ainda mais, com muito afinco. Dizia que, quando fosse grande, queria ser professor, poder ensinar aos outros aquilo que sei... contudo a vida não permitiu dar asas a esse sonho.

 

Aos 16 anos saí da escola, com lágrimas nos olhos, um peso na alma, e fui trabalhar para ajudar a minha mãe nas despesas da casa, pois era o irmão mais velho, tinha essa responsabilidade sobre os ombros, a dura vida impôs-se sobre os sonhos e todos eles morreram nesse dia.

Todos os dias da semana, debaixo de sol ou chuva, percorria cerca de 3km a pé para ir trabalhar numa fábrica de colchões. Nada tinha a ver com as minhas ambições. Senti-me injustiçado. Foi assim a minha vida durante 3 anos.

 

O desemprego bateu-me à porta no final do ano de 2005, e veio para ficar. Senti-me como se a vida me castigasse por algo que não tinha conhecimento.

No entanto, o desemprego trouxe a oportunidade de voltar a estudar, agarrei-a com unhas e dentes e não a larguei durante alguns anos. Formei-me em informática e línguas. Fiz o 12º ano.

 

Agora aqui estou eu, a escrever um blog! Algo que surgiu do nada, apenas porque me apeteceu desabafar, fazer alguns amigos virtuais com quem podia preencher o vazio que a solidão me deixa, e que se tornou num grande espaço meu, só meu, para todos vocês.

 

O menino que cresceu numa aldeia rural, rodeado de campos, animais e mato, aquele que sonhava em ser professor, cresceu. Hoje é um homem que ambiciona muitas coisas, que quer dar um rumo à sua vida, mas nunca, nunca irá deixar de sonhar.

12
Abr16

O Solitário já está no Facebook

Filipe

Dizem que o Facebook é o melhor amigo do nosso blog. Como eu não quero mais ficar sozinho, e estou a levar isto demasiado a sério, decidi criar uma página no Facebook para este blog.

Assim, penso que o blog irá crescer mais um bocadinho. Lá diz o ditado que grão a grão... Também tenho o endereço de e-mail para quem quiser falar comigo no privado.

 

É só clicar no iconezinho que se encontra do vosso lado direito, visitar e pedir que gostem de mim  

11
Abr16

Preconceito

Filipe

Já assumi aqui no blog a minha homossexualidade. Fui bem aceite por esta sociedade  da blogosfera, o que me deixa bastante animado.

Por ser diferente, ou seja, por ter uma orientação sexual diferente, algo que ainda não é tão bem aceite assim nesta sociedade, já fui alvo de muitas situações de preconceito. Desde a humilhações em público, piadas e olhares desagradáveis, ao longo destes quase 30 anos, já passei por um pouco de tudo.

 

Contudo, a situação que hoje vos vou relatar, por mais inacreditável que possa parecer, aconteceu! Uma situação de puro preconceito, uma atitude por parte de um ser humano que não aceita tal facto e o mostrou da pior forma possível.

 

Era domingo à tarde. Estava entediado em casa por não ter o que fazer. Decidi ir caminhar um pouco pela rua para desanuviar a cabeça, aliviar a tal irritação que se instalou em mim.

Na minha caminhada, passei por um café onde estavam alguns jovens cá fora, não sei precisar quantos nem quem eram, e isso foi um dos maiores erros da minha vida.

 

Ao passar pelo estabelecimento oiço piadas do género:

"Olha o paneleiro!";

"Vai levar no cú o filho da p***";

"Mata-te seu porco!";

"És um nojo, és um lixo".

 

Ignorei tais comentários e continuei a minha caminhada. Nestas situações é melhor desprezar, é o que esse tipo de pessoas merece. Mesmo que reagisse, iria ser pior, pois eles eram muitos e eu estava sozinho.

Talvez eles quisessem mesmo que eu reagisse para terem uma oportunidade de mostrarem o seu desagrado para comigo de uma forma mais violenta. Eu nunca lhes dei esse gosto.

 

Ao regressar, algo no meu instinto me dizia para não passar pelo mesmo sítio onde fui humilhado, mas como eu não fiz mal a ninguém e nem me apetecia ir por outro sítio mais longo, arrisquei. Maldita a hora em que o fiz.

 

Eles continuavam lá, estavam a ouvir música. Uma música dos Da Weasel, nunca mais me esqueço! Atravessei a rua na passadeira sem olhar uma única vez para o café e para o que se passava ali.

Porém, de repente, senti uma dor lancinante na cabeça. Instintivamente levei a mão à parte de trás da cabeça, senti um golpe, voltei a mão e vi que estava suja de sangue. Cambaleei até ao passeio. Na passadeira jazia uma grande pedra no chão. Aquela que me atingiu, atirada por alguém que se escondeu de seguida pois, ao olhar para o café, este encontrava-se deserto.

Um deles veio espreitar para ver se eu estava vivo ou coisa do género e voltou-se para dentro logo depois. Ninguém me perguntou se estava bem, ninguém me ajudou. Foi o preço que paguei pelo desprezo.

 

Fiz o caminho de regresso a casa cambaleante, a dor na cabeça era insuportável, deixava-me zonzo. A ferida não parava de sangrar. Cheguei a casa e não consegui dizer mais nada. A minha mãe olhou-me e perguntou o que tinha acontecido, alarmada. Contei-lhe tudo, as lágrimas corriam pelo meu rosto sem eu conseguir impedi-las.

Imediatamente ela ligou para a GNR. Perguntaram-me se eu tinha visto quem me atirou a pedra, eu respondi que não. Ouvi do outro lado da linha "Então não podemos fazer nada".

 

A minha mãe, completamente fora de si, foi ao café disposta a resolver o assunto pelas próprias mãos, como um animal feroz defende a sua cria.

"Eu quero saber quem atirou uma pedra ao meu filho?! Acusa-te seu covarde!" - gritou ela. Ninguém se acusou. A senhora do café disse não saber de nada, estava claramente a mentir, pois foi ela quem o escondeu, vim a saber mais tarde.

 

O caso foi encerrado ali. Nada mais havia a fazer, ou se havia, nós não sabíamos como agir.

Um paneleiro apedrejado na rua. Ninguém foi culpado, eu é que sofri todas as consequências físicas e psicológicas que advieram daí. Talvez a culpa foi minha, quem me manda ser como sou? É... a culpa deve ter sido minha...

 

Ouve alguém que lá estava nesse dia e me disse quem me atirou a pedra, mais tarde, talvez por descargo de consciência. Pelo menos, eu sei quem foi.

 

Cruzo-me com ele por diversas vezes. Ele nunca me olha nos olhos, não me encara. É o maior covarde que eu conheço neste mundo.

Um dia, quando tiver oportunidade, dir-lhe-ei que nunca, mas nunca, o perdoarei! Tudo se paga neste mundo, eu acredito muito nisso, e um dia ele me pedirá ajuda e eu irei recusar... não sei! Eu sou muito diferente dele.

 

Nunca lhe vou perdoar. Se o fizer, não só estou a perder o respeito por mim próprio, como também daqueles que, como eu, todos os dias luta contra este maldito preconceito.

09
Abr16

Efeitos secundários

Filipe

Tomo o Victan em caso de SOS, prescrição médica, só naquelas alturas em que as crises de ansiedade tomam conta de mim e me levam a extremos.

Um comprimido pequenino, de fácil ingestão. Tomo-o sempre com muita pouca água, para fazer efeito mais rapidamente. Foi assim que me ensinaram. Poderia coloca-lo debaixo da língua, mas depois fico com um gosto tão amargo na boca que prefiro ingeri-lo todo de uma vez.

 

Cerca de meia hora depois, aquele nervoso miudinho, aquela angústia, começam a deixar lentamente o meu corpo que, por sua vez, começa a ficar mais pesado e o meu comportamento obsessivo acalma significativamente.

Fico num estado de letargia e só me apetece deitar a cabeça na almofada e adormecer tranquilamente, um sono pesado e sem interrupções.

Eu tomaria Victan toda a vida se pudesse!

 

No entanto, como todos os medicamentos existentes, também este traz com ele efeitos secundários.

Durmo muito bem, mas nem por isso acordo bem disposto. Talvez isso deva-se, também, à minha personalidade, pois tenho sempre mau acordar, e a toma deste ansiolítico agrava mais esse estado.

O efeito do comprimido passa quando atinge cerca de 24 horas, e aí fico ainda mais mal humorado, qualquer coisa por insignificante que seja irrita-me muito facilmente, chego a criar um mau ambiente familiar.

 

É o meu corpo a reclamar pela droga. Aquele comprimido pequenino, mas ao mesmo tempo tão forte, parece que chama por mim dizendo-me "toma, que vais sentir-te melhor". Mas eu não posso. Não quero criar dependência, não quero habituar-me a este estado vegetativo!

 

É nestas alturas que eu entendo, e não entendia no passado, aquelas pessoas que são dependentes de algo. Seja da droga ou do álcool. Um vício que apura os nossos instintos para cair mais uma vez na tentação. Afinal, é só hoje, amanhã será diferente.

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