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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

08
Abr16

Contrassenso

Filipe

É uma palavra difícil, tal como o seu significado. Fui verifica-la no meu dicionário, um já velhinho que guardei dos meus tempos de escola, que está guardado na última gaveta do armário.

Contra-senso. Assim era escrita esta palavra antes do Acordo Ortográfico, uma lei que até hoje não compreendo, e que discordo totalmente. Mas isso já é outra conversa.

 

Segundo a Infopédia, contrassenso significa: "afirmação contrária ao senso comum; absurdo; disparate; sem-razão".

O contrassenso é uma palavra (sentimento?) que faz parte de mim.

 

Ontem senti-me melancólico, pensando na vida e no rumo em que esta estaria a tomar. Estou perto de completar 30 anos e sinto-me sozinho, como tantas vezes ja referi neste blog, ou não se chamava ele de Sr. Solitário, um pseudómino que se me adequa perfeitamente.

Trabalho apenas de quando em vez, quando a senhora precisa. Ou seja, não tenho emprego fixo e a minha independência é pouca, para não dizer nula! Vivo às custas da minha mãe, que não se cansa de me atirar isso à cara todos os dias. Afinal eu estou desempregado porque quero, o que não falta para aí são empregos, não é verdade?

 

Se me perguntassem neste momento: qual é o teu sonho? O meu sonho é ter um emprego, ter a minha independência, alugar uma casa só para mim e viver sozinho.

 

E agora a pergunta. Se eu, o Sr. Solitário, um pseudónimo que descreve o meu estado de espírito, quer ir viver sozinho, não é esta mais uma forma de solidão?!

Sentir-me-ei mais sozinho numa casa longe daqui, mas não me sentirei melhor? Mas a solidão será ainda mais presente.

 

É isto um contrassenso. Às vezes, nem eu próprio me entendo.

 

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06
Abr16

O encontro

Filipe

Estava a chover. As gotas da chuva que caía, batiam no vidro do carro intensamente, e logo eram limpas pelo para-brisas que, incansavelmente, andava de um lado para o outro, num gesto frenético e pouco eficaz.

Os meus olhos acompanhavam esse movimento, aquele olhar sem ver, absorto nos meus pensamentos, enquanto tentava me lembrar do caminho mais curto para a terra para onde me dirigia. Eu ia ver o meu pai, após tantos anos de afastamento. Que irónica é a vida, estive tantos anos a evitar lembrar-me desse lugar, e naquele dia procurava-o nos confins da minha memória.

 

Tudo estava tão diferente do que da última vez que lá tinha passado, há 10 anos atrás. Casas restauradas, ruas que nem sabia que existiam, estabelecimentos que fecharam, outros que abriram, certezas que se transformaram em dúvidas.

A persistência foi mais forte que tudo e, por fim, lá encontrei a casa onde o meu pai sempre viveu. Diferente também, paredes pintadas de outra cor, uma cor mais viva, embelezando mais o bairro.

As minha memórias assaltaram de novo a minha mente. Vi-me a mim próprio, uma criança de cabelos louros, muito sorridente, cheia de energia, correndo por essa rua fora ao encontro dos braços do meu pai. Ele abraçava-me, dava-me um beijo e chamava-me de "meu homem".

Queria que ele estivesse ali, onde outrora esteve, de braços abertos. Mas não estava. Liguei-lhe e disse onde estava. Ele disse-me que estava no café, que não o avisei quando vinha. Pois não pai, quis fazer-te uma surpresa, mas não faz mal, eu vou ter contigo onde estiveres, nem que seja no fim do mundo!

Ele explicou-me direitinho todo o caminho e lá fui. Ligou-me pouco tempo depois perguntando-me se demorava, também ele ansioso de me ver. "Não pai, já estou mesmo aqui, já vou!".

A palavra pai saiu-me da boca tantas vezes nesse dia!! Todas aquelas vezes em que eu a reprimi na garganta no passado.

 

Então vi-o. Ele acenou-me para eu o ver, mas não era preciso, eu reconheceria-o na mesma. Um filho conhece sempre um pai, e vice-versa, pelo menos é assim que tem que ser.

Estava diferente, mais velho claro está, a idade não perdoa. Mas era o meu pai que estava ali, a sorrir-me. Deu-me um aperto de mão. Eu também sorri e abracei-o fortemente.

Queria que o tempo parasse ali, queria que aquele abraço durasse eternidades! Queria carinho, protecção, colo, tudo aquilo que me faltou ao longo destes anos de ausência de um pai. Senti-me uma criança indefesa que finalmente encontrou o seu anjo protector.

 

Falamos durante horas entre o burburinho do café, nem demos pelo tempo passar. Entre explicações e desculpas, entendemos-nos perfeitamente! Tomei uma cevada quentinha, pois não tomo café. O meu pai pagou-a, 55 cêntimos, com umas parcas moedas da sua carteira. A vida também não tem sido fácil para ele.

Falou na vontade que tem em conhecer as netas. Mostrei-lhe fotografias, contei imensos episódios. Inteirei-o de tudo o que se passava connosco.

 

Despedimos-nos com a promessa de nos vermos muito em breve. Fui para casa com a alma tão mais leve que seria capaz de levitar. Já não haviam mais pensamentos do negro passado que me pudessem assaltar. Agora sim, a missão está cumprida.

 

Quando fui para casa, já não chovia.

 

05
Abr16

Pai

Filipe

Decidi ir caminhar um pouco, no domingo de manhã, logo após escrever o último post. Levei o telemóvel no bolso do casaco. Quem me visse de longe percebia que estava a falar sozinho. Ensaiava a conversa que estava prestes a ter com o meu pai.

 

A pergunta que se formava na minha mente era: o que dizer a um pai que já não vemos nem falamos há 10 anos atrás? Várias conversas surgiram na minha cabeça, todas diferentes, mas com o mesmo sentido. Até que, de repente, disse a mim próprio que não tinha que ter receio de coisa alguma. Vou falar com o meu pai, não é com um estranho!

 

Peguei no telemóvel. Procurei o contacto mais recente da minha lista chamado "pai", respirei fundo e carreguei na tecla de chamada.

Ouvi vários toques de chamada do outro lado da linha, "ele não vai atender" pensei eu já inseguro das minhas próprias convicções. Até sustive a respiração tal era a expectativa!

Após 3 ou 4 longos toques, que me pareceram a espera mais longa da minha vida, alguém atendeu. Uma voz tão familiar disse um "estou", também ele na expectativa. Eu só consegui dizer "bom dia" com um sorriso nervoso.

 

"És tu, meu filho?" - perguntou-me ele. Esperei 10 anos para ouvir estas palavras. Meu filho. O dia, outrora cinzento, iluminou-se, ou melhor, iluminou-me a mim agarrado ao telemóvel com tanta força para ele não cair, não quebrar aquela linha tão cheia de sentimento, como um laço de sangue, sangue do meu sangue, a comunicação de um pai para um filho.

Naquele momento reconheci que nós damos tanta importância a coisas da vida tão insignificantes e esquecemos-nos do mais importante, que é o amor da nossa família, que de tão forte que é, é capaz de quebrar todas as barreiras, até aquelas mais difíceis, endurecidas pelo tempo.

 

"Conheceste a minha voz?" - perguntei eu todo eufórico, não cabia em mim de contente.

"Então não conheço? Claro que conheço! Caramba, há tanto tempo, meu homem!!".

 

Sabem aquele vazio que alguns de nós sentimos na alma, aquele vazio profundo que nos marca, deixando ali uma parte sem preenchimento... Esse vazio que sentia foi preenchido ali mesmo, no passeio de uma rua molhada, com o vento a esbofetear o meu rosto, num dia cinzento, mas tão cheio de luz.

 

Não sei precisar quanto tempo estivemos ao telefone, falando de tudo e mais alguma coisa, havia tanto para falar, mas tanto!! As palavras atropelavam-se ao saírem, com a respiração entrecortada.

Falei-lhe na vontade que tinha em o ver, vontade essa que foi imediatamente mútua, e marcamos um encontro para esse mesmo dia à tarde.

 

Encontro esse que contarei mais tarde.

 

Obrigado pelo apoio amigos

03
Abr16

Incerteza ou falta de coragem?

Filipe

Não está a ser nada fácil escrever este post. Já escrevi inúmeras palavras e logo depois apago-as. Não sei por onde começar... Pelo início, claro está. Por vezes é difícil, elas não querem sair, ficam presas e instala-se uma confusão no meu cérebro que me apetece apagar tudo e remover esta publicação. Mas tenho que fazer um esforço, pois é algo que quero muito contar e para a qual preciso de conselhos.

Já aqui referi as várias tentativas de contacto que fiz para com o meu pai. Jurei a mim próprio que nunca mais o faria, devido às circunstâncias, teria quer ser ele a procurar-me desta vez. Estaria eu a ser orgulhoso? Eu penso que não.

 

O que é certo é que desde que aconteceu aquela tragédia dos emigrantes, um deles desta zona que deixou duas filhas amarguradas, tal facto me deixou a pensar e repensar no verdadeiro sentido da vida e de como é tão importante resolver todos os males do passado, pois não sabemos o que nos poderá acontecer, todos nós, e amanhã já poderá ser tarde. Uma ideia remoeu e remoeu a minha mente até ao dia de ontem, em que acordei com um objetivo. O de ligar a uma tia minha muito próxima do meu pai.

 

Após conversa de circunstância, perguntei como estava ele. Está bem, ao que parece, dadas as circunstâncias... Falei-lhe na vontade que tenho em resolver este assunto de um passado tão longínquo e que, frequentemente, me assalta os pensamentos. Eu e o meu pai temos que falar, cara a cara, como dois homens que somos, civilizadamente, sem "atirar à cara", sem acusações, esse "diz que disse".

 

Pedi-lhe, por favor, que antes de me facultar o contacto do meu pai, procurasse saber a opinião dele sobre tudo isto. Só se ele concordasse em falar comigo é que a minha tia me daria o seu contacto. Quis fazer as coisas assim, também para me proteger de mim próprio de mais uma ilusão.

 

Ligou-me umas horas depois, dizendo que o meu pai ficou bastante contente por saber que eu o procurei, mais uma vez, e facultou-me o seu contacto.

 

Agora estou aqui, de telefone na mão, na expectativa sobre o que fazer agora. Já não falo com o meu pai há 10 anos! Há tanto para falar, tanto por dizer, que sinceramente nem sei por onde começar e como o devo fazer. Digo-lhe "olá pai, há tanto tempo!!". Ou será que devo desistir agora que está tudo tão perto de ser resolvido?

 

São estas incertezas e esta falta de coragem que faz parte do meu estado de espírito hoje. Tenho receio de uma má receção, mesmo a minha tia certificando-se de que não irá ser assim, mas não sei... Já passaram tantos anos!

 

Ajudem-me!

02
Abr16

Um consultório sentimental?

Filipe

No post anterior expliquei toda a situação pela qual a minha irmã passou por causa de apenas um comprimido. Como referi, sendo eu o irmão mais velho tento sempre protege-la e ajuda-la naquilo que posso, dando sempre os melhores conselhos, ou pelo menos assim espero.

 

Tal gesto fez com que a minha irmã confiasse mais em mim e, agora, pede-me conselhos para muitas outras situações. Eu tento não ficar escandalizado, a sério que tento, mas às vezes é complicado, e dou por mim já de boca aberta, alarmado!

Ouvindo certas coisas chego à conclusão de que eu nunca fui um adolescente!

 

Para a minha irmã, neste momento, eu sou um bom conselheiro. Tão bom que cada vez que uma amiga dela lhe liga a chorar com problemas sentimentais, ela diz-lhes para falar comigo.

 

Então, ontem foi um desses dias. A miúda veio cá a casa toda chorosa dizendo que o namorado dela queria ir tomar café com uma amiga que tinha conhecido através da internet. Como é óbvio ela não concordou. Ele disse-lhe que ela já estava a fazer filmes, que estava farto dos ciúmes dela e não sei mais o quê e que nem sabia se queria continuar com a relação (li as sms todas que foram mandadas!!).

 

 

Fiquei com imensa pena dela. Via-se perfeitamente que o rapaz iria trai-la. Até posso estar a ser injusto, mas esta história toda cheira-me a esturro.

 

O que é certo é que consegui mudar o jogo todo para o lado dela! Após várias mensagens trocadas em que era eu que as ditava para ela as mandar, o rapaz acabou por dizer que já não ia e que a amava e que não a queria perder.

A miúda ficou tão feliz e eu senti que tinha feito a minha boa ação do dia.

 

Sinceramente acho que vou mesmo abrir um consultório sentimental!

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