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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Jun16

A palavra "faxabor"

Filipe

Quando alguém utiliza a palavra "faxabor", até me dá vontade de rir. E acreditem que há tanta gente neste país que a utiliza e eu continuo sem perceber o porquê do uso da mesma... É que simplesmente essa palavra não existe!

 

Eu, que estou sempre com as antenas ligadas atento ao que as pessoas dizem (deve ser por isso que penso ter jeito para jornalista), ouço-a regularmente. Ora vejam os seguintes exemplos:

No café - "Queria um café, faxabor";

Na Padaria - "Quero duas padas, faxabor";

No autocarro - "Pode parar aí, faxabor?";

Numa loja de chineses - "Desculpe, pode ajudar-me?" - "Diga, faxabor!";

No supermercado - "É tudo? São 20€ faxabor";

Na rua - "Olhe faxabor uma informação!".

 

Bem eu poderia estar aqui o dia todo a mencionar mais situações destas, pois elas são infindáveis.

Portugueses, não utilizem a palavra "faxabor" porque ela não existe! Utilizem antes as palavras "se faz favor" ou então "por favor".

 

17
Jun16

Bullying (parte 4)

Filipe

Recebi um relógio no meu aniversário. Um Lorus, boa marca, segundo me disseram. Mas que bela prenda! Coloquei o relógio no pulso direito e não parava de ver as horas, encantado. Iria fazer um sucesso na escola, pois sempre que quisessem saber as horas, iriam perguntar-me e eu, todo vaidoso, iria responder. Os meus colegas dar-me-iam mais atenção.

 

Numa segunda-feira de manhã, lá fui todo contente para a escola com o meu relógio novo. Porém, essa alegria não durou muito.

"Ó moço, o relógio usa-se no pulso esquerdo, não é no pulso direito!"

"Hahahaha, ele gosta de usar no pulso direito, como as mulheres."

 

Eu não sabia que um relógio tinha um pulso específico para ser usado. Ignorei. Na aula, ele disse-me "muda o relógio para o outro pulso". Eu respondi que não queria.

"Deixa de ser tono e muda-me a porcaria do relógio para o outro pulso!"

"Deixa-me em paz" - repliquei.

"Mas tu pensas que estás a falar com quem? Tu não me provoques! Se não mudas o relógio para o outro pulso, chegas lá fora e parto-te os dentes todos! Bichona!"

 

Eu mudei o relógio para o outro pulso como ele ordenou. Cheguei a casa e guardei o relógio numa gaveta.

Nunca mais o usei.

 

16
Jun16

Tio

Filipe

Faz hoje um ano que partiste. Os médicos já nos tinham preparado para este desfecho, mas por mais que nos digam, por mais que nos preparem, nunca estamos preparados para receber uma notícia tão trágica. Pensámos sempre que não será desta. Afinal a esperança é sempre a última a morrer, não é verdade? As esperanças também partiram contigo nesse dia quente de Junho em que nos deixaste, sem dizer adeus.

 

Estava numa formação quando recebi uma chamada da prima Daniela. "O tio Júlio morreu" - disse-me ela e todo o meu corpo ficou petrificado. Senti frio naquela hora, onde fazia uma temperatura de cerca de 30º, e todo eu tremia. Fiquei em choque. Nunca estamos preparados.

 

Faz hoje um ano que partiste e todos te lembramos com saudade. Recordamos sempre a tua alegria, as tuas peripécias, com sorrisos tristes, de olhos brilhantes. Recordamos também o dia em que te vimos pela última vez, naquela cama de hospital, onde lutaste pela vida até ao fim.

Choramos a tua partida e choramos a tua ausência. Falta uma parte de nós.

 

Hoje, levamos flores, acendemos velas e rogamos preces silenciosas para que a tua alma encontre o caminho da paz. Pedimos que olhes por todos nós, pedimos a tua proteção.

 

Nestas horas não encontramos as palavras certas para descrever aquilo que sentimos, apenas se sente a dor. A dor da perda, aquela dor para a qual ninguém está preparado, aquela que não tem cura.

Encontro nestas palavras uma pequena homenagem que tento fazer para que nunca sejas esquecido. Onde quer que estejas, serás sempre uma estrelinha que brilha, uma luz tão forte capaz de iluminar a noite mais escura, e só eu a consigo ver. Porque enquanto eu conseguir te lembrar, eu sei que estarás sempre perto de mim.

 

Até sempre, tio.

 

 

15
Jun16

Eram todos Charlie, agora ninguém é gay

Filipe

Vi esta notícia no DN e não podia estar mais de acordo.

 

Na altura em que aconteceram os atentados em França e Bruxelas, houve uma grande onda de solidariedade no facebook e outras redes sociais. As fotos de perfil foram quase todas alteradas e modificadas com as bandeiras dos países em questão.

 

Houve quem dissesse Je suis Charlie, mas agora muitos poucos dizem Je suis gay.

Após o atentado que aconteceu em Orlando, vejo muitas poucas pessoas com a bandeira gay na sua foto de perfil. Porque será?

Deixo a pergunta no ar.

 

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13
Jun16

O preço (exagerado) dos livros

Filipe

Quem me conhece, percebe logo de imediato que eu sou completamente apaixonado pela leitura. Os livros têm um papel muito importante na minha vida. Com eles aprendo, viajo, sonho... vivo cada página, cada história daquilo que leio com tanta afeição que, por vezes, até tenho pena quando os acabo de ler.

Tenho andado um pouco esquecido deles mas, com o tempo a aquecer, a minha vontade de ler vai aumentar, pois adoro estar sentado na varanda a ler.

Irei fazer várias sugestões ao longo deste blog também.

 

Porém, com muita pena minha, tenho sempre que me restringir aos livros disponíveis na biblioteca que visito muito frequentemente, que fica na cidade mais perto, pois o preço dos livros em qualquer loja ou superfície comercial são um exagero, a meu entender. Não se consegue arranjar um bom livro por menos de 15€, nem com promoções/descontos.

 

Como eu adorava poder comprar nem que fosse um livro por mês se pudesse! Adoro poder abri-los e cheira-los... aquele cheiro a novo das folhas e sentir a sua textura, saber que fui o primeiro a lê-lo. Mas, cada vez com os preços mais altos que os mesmos apresentam, é para mim impossível compra-los. E então tenho que dirigir-me à biblioteca, selecionar os que me parecem melhores, alguns em péssimo estado de conservação, requisita-los, depois devolve-los, por vezes em prazos muito curtos que quase nem chego a absorver a história direito.

 

Poderei sempre fazer a sugestão para que comprem alguns dos livros mais recentes e que me interessaram, mas até essas sugestões na biblioteca estão mais escassas, devido à crise financeira que as próprias atravessam nos dias de hoje.

 

É realmente uma pena que algo tão importante para a nossa cultura e desenvolvimento seja comprado a preços que considero, alguns, um absurdo!

 

livros-destaque.jpg

 

09
Jun16

Ausência

Filipe

Como já devem ter reparado, tenho andado bastante ausente do blog. Não por iniciativa própria mas por motivos de doença.

 

Fiz uma contratura muscular na cervical grave ao ponto de me afetar os movimentos e, por isso, tenho estado em repouso absoluto.

 

Como bom português, julguei que isto passava com o tempo, mas não passou e, quando fui ao hospital, vi que deveria tê-lo feito à mais tempo.

Agora é viver um dia de cada vez, pois isto tem uma recuperação muito lenta.

 

Tenho andado bastante ausente mas vou voltar muito em breve, prometo.

03
Jun16

O meu silêncio

Filipe

Se pudesse dizer, se pudesse falar

Tudo aquilo o que estou a sentir

Dava voz à minha dor, ia gritar!

Para que todo o mundo me pudesse ouvir.

 

Iria chorar, eu sei que sim

Mas que posso eu fazer?

Se o destino parece estar contra mim

Não vejo solução senão sofrer.

 

Meu Deus! Estou com tanto medo!

E sinto que preciso ficar sozinho

Tenho de me calar, guardar segredo

Pois ninguém me pode mostrar o caminho.

 

Estou na dúvida, na incerteza

Será que isto pode ser real?

Não tenho uma resposta com firmeza

Mas sei que a partir de hoje, nada será igual.

 

Porque estou com este pressentimento?

Que desespero... Qual a razão?

Não posso ouvir o pensamento

Pois ele está cheio de ilusão!

 

Dentro de mim há uma esperança

De que tudo irá correr pelo melhor

Ah! Se pudesse voltar a ser criança

Iria viver a vida com mais amor!

 

Ajudem-me! Preciso sair daqui!

Levem-me para longe deste tormento

Meu amor, preciso tanto de ti...

Quero dizer-te o que sinto neste momento.

 

Não olhem para mim, quero paz!

Quero fingir que nada aconteceu

Mas será que, no fundo, sou capaz?

Sinceramente, este mundo não é o meu.

 

 

02
Jun16

A professora Elsa

Filipe

Conheci a professora Elsa quando entrei para a 3ª classe. Tinha 8 anos, e na altura sonhava com os 18. Quem me dera que o tempo não corresse tão rápido!

 

Mudei de residência, fui para um concelho diferente, e também mudei de escola. Não me senti nem por um momento posto de parte, ela acolheu-me muito bem, assim como muitos dos meus colegas, alguns deles amigos até hoje.

 

Sentia-me feliz. Acordava bem cedo e preparava o meu pequeno almoço e pedia à minha mãe para me apertar os atacadores, coisa que aprendi muito mais tarde só. Adorava o recreio, onde brincávamos ao pião e onde comia a minha sandes de tulicreme junto com o leite com chocolate que, nos dias de inverno, colocávamos no meio do aquecedor para ficar quentinho.

 

Os trabalhos de casa que a professora mandava fazer era quase sempre uma cópia que fazia no meu caderno A5, com uma caneta azul, e logo depois fazia um desenho e pintava-o com os marcadores da Molin, os meus preferidos. Penso que já não existem.

 
Tudo estava bem, sentia-me feliz! Uma criança verdadeiramente feliz. Contudo, houve um dia que a professora Elsa sentiu-se mal. Tivemos que chamar uma vizinha para a vir ajudar. Nesse dia ela chorou na sala de aula, talvez com medo de alguma coisa que ela já sabia, mas nós não. Lembro-me que tive vontade de chorar também, e houve quem chorasse. Não houve trabalhos de casa nesse dia. Saímos todos mais cedo. Ninguém percebia o que se estava a passar.
 
 
A professora Elsa nunca mais voltou a dar aulas. Veio um professor substitui-la. Todos sentíamos a falta dela, não é que o professor fosse mau, mas eu sentia a falta do carinho dela, da atenção que ela me dava.
 
Um dia ela veio fazer-nos uma visita. Houve uma alegria total! Eu pensava que ela ia voltar para junto de nós, tinha muitas saudades dela. Mal me viu ela disse "olha o Hélder!", os olhos marejados de lágrimas, aquele olhar de saudade, de pena. Nesse dia à tarde, fui para um lugar sozinho e chorei muito com pena dela.
 
 
Meses depois soube que a professora Elsa faleceu.
 
Fomos todos ao funeral. Eu não a reconheci no caixão, não parecia ela, a mesma professora com aquela alegria de viver. Ela estava a sorrir, mas era um sorriso muito artificial, quase como colocado à força, de lábios cerrados. Essa imagem nunca mais me sai da memória.
 
 
As filhas dela choravam muito e eu perguntava a mim próprio como seria viver sem uma mãe. Não conseguia imaginar uma resposta.
 
Na hora do enterro, peguei numa mão-cheia de terra como me disseram para fazer, e atirei para a cova onde a professora Elsa foi sepultada e disse-lhe adeus, baixinho, na minha mente.
 
 
Hoje quero prestar-lhe esta pequena homenagem. Nunca me irei esquecer dela, nunca. Ela foi como uma mãe para mim. Tudo o que me ensinou está bem presente na minha memória, se fechar os olhos e deixar a minha mente vaguear, ainda a consigo imaginar a explicar-nos como funcionava o corpo humano, num poster pendurado no quadro de lousa e com a cana para apontar o que estava a dizer.
 
 
Até sempre professora. E obrigado, obrigado!
 

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