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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

16
Jul16

Má alimentação por falta de dinheiro

Filipe

Certo dia, ainda não há muito tempo, vi uma notícia na televisão informando que em Portugal existem muitas pessoas que têm uma má alimentação devido à falta de dinheiro.

Principalmente as pessoas mais idosas, que recebem uma parca reforma que mal chega para pagar as suas despesas na farmácia e o pagamento das suas contas, são afetadas por este problema. Passam fome porque não têm dinheiro para se alimentar.

 

Fico muito triste, enquanto cidadão português, ao saber destas notícias. Afinal, os portugueses não são um povo solidário? Ou será que esta solidariedade tão bem apregoada só se observa na altura do natal? Não é só no natal que estas pessoas saciam a sua fome.

 

No meio de toda esta situação, o que me irrita ainda mais (e eu sei do que estou a falar), é a quantidade de comida que se deita fora todos os dias. Não falo propriamente daquela que nós deitamos fora, em nossas casas, falo essencialmente de todos os alimentos que as grandes superfícies colocam no lixo diariamente.

 

Não sei se conhecem este facto importante, todos os dias os hipermercados colocam carne, frango assado, entre outros produtos que estão em ótimo estado para consumir, um autêntico banquete que certamente agradaria imenso tantas pessoas em situações tão precárias. E se, porventura, alguma funcionária arriscar em trazer algum alimento que seria depositado no lixo, pode mesmo ser despedido por justa causa!! Isto sim, deixa-me mesmo chateado com as leis deste país!

 

Estamos em Portugal, senhores.

 

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15
Jul16

A imagem mais triste do atentado em Nice

Filipe

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É nestas alturas em que eu me interrogo sobre a existência de um Deus omnipresente, tenha ele o nome que tiver, Deus, Alá, Buda, etc.

Deus existe? Aonde?! Tragam-no aqui, para eu poder vê-lo, olha-lo nos olhos e exigir uma justificação porque ele permite que coisas destas aconteçam!!

 

Querem fazer guerras? Façam! Querem desrespeitar as crenças dos outros? Desrespeitem! Querem poder? Arranjem-no! Mas por favor, POR FAVOR!, não façam mal às crianças que não têm culpa nenhuma. São inocentes, são anjos, e não merecem isto.

 

Vi esta imagem à pouco e não consegui conter as lágrimas. Elas correram pela minha face e, ao escrever este post, elas continuam a correr, e desculpem a minha agressividade nas palavras, mas o meu coração sangra! Chora a tristeza desta e de outras crianças que perderam a vida de uma forma tão atroz. A minha alma está tão pesada, jaze naquele chão, perto daquela boneca abandonada.

 

Descansa em paz meu anjo. Estejas onde estiveres, agora podes brincar em paz, porque ninguém agora irá fazer-te mal. Quem me dera poder embalar-te nos meus braços até adormeceres.

Quando a minha sobrinha chegar vou abraça-la tão fortemente e vou beija-la tanto! Tenho medo por ela também.

 

15
Jul16

À conversa com... A Mula

Filipe

Mula.jpg

 

Algures, num curral qualquer no meio da cidade, nasceu uma Mula que, um dia, decidiu criar um blog, partilhando assim os seus contos e desencontros, as suas viagens, os seus livros...

Senhoras e Senhores, aumentem o som, pois a Mula informa que hoje está "À conversa com...".

 

Ora bem Sol, antes de mais muito obrigada pelo convite. É um prazer sentar-me no teu cantinho e ser entrevistada por ti, que és realmente um grande entrevistador. É realmente uma grande honra, muito obrigada pela oportunidade. Como muitos saberão sou uma jovem mulher de 28 anos, recém casada e com uma paciência um tanto limitada para situações parvas, mas também com um grande coração. De  mim cada um recebe o que quer e o que escolhe, sou uma grande amiga, mas também posso ser muito má com quem me maltrata, sou muito pouco tolerante a faltas de respeito. Assim sou eu, e aqui estou sem filtros no "À conversa com..."

 

Solitário: Olá, bem vinda. Porquê Mula?

Mula: Olá Sol, obrigada. Mula, porque tenho um feitio fantástico! [Risos] A verdade é que às vezes consigo ser muito mazinha e o Mulo – que é Mulo por eu ser Mula – quando estava chateado comigo chamava-me – e ainda me chama – de Mula. Um dia, chateada com ele decidi criar um blog – há muitos anos atrás no wordpress – e como eram os meus desabafos e eu era a Mula assim ficou, Desabafos da Mula.

 

S: Algum leitor usou esse teu pseudónimo como pejorativo?

M: Sim, já aconteceu. Em tempos tive uma leitora, que apesar de nada o fazer prever, se insurgiu totalmente contra mim, chamando-me de mentirosa, porque achava que um conto que eu tinha escrito era sobre mim – e não era, efetivamente – e aproveitou e decidiu usar o meu pseudónimo de uma forma bastante negativa, dizendo que eu era uma grande Mula por ser má pessoa - apesar de não me conhecer de lado algum - e que o meu curral cheirava muito mal e blá blá blá. Eu, felizmente desvalorizo totalmente estes incidentes, porque na verdade só me importo e preocupo com as opiniões de quem gosto e me é importante, e como tal não foi uma situação que me tenha causado algum tipo de stress ou perturbação, mas foi, e é sempre, desagradável. Não me importo muito  com o que dizem de mim, mas acho que ninguém gosta de ser acusada de mentiras e de coisas que não somos...
 

S: Consideras-te uma pessoa bastante frontal. O que já disseste frontalmente e logo te arrependeste?

M: [suspiros] Digo muitas coisas das quais me arrependo, não por não serem verdadeiras, mas porque às vezes não meço as palavras e magoo as pessoas sem querer magoar. Dou-me lindamente com a minha mãe, mas ela é muito inocente e tem comportamentos que eu por vezes desaprovo. Basicamente não perco uma oportunidade para a chamar atenção de um comportamento errado, porque é para o bem dela, mas sei que às vezes a deixo triste e logo me arrependo e penso para comigo: não deveria de ter dito isto. Digo-lhe muitas vezes que ela vê a vida de forma muito errada e ela acredita muito nas pessoas e eu sou a primeira pessoa a dizer-lhe "vais-te desiludir com A ou B" e ela "não", mas depois acaba a dar-me razão, mas até lá acabo por pensar "ela é adulta, não me deveria de meter na vida dela!", mas acabo sempre a meter-me!...
 

S: Mesmo assim, alguma coisa ficou por dizer a alguém?

M: Claro que sim, fica sempre muito por dizer a muita gente, às vezes porque simplesmente as pessoas não valem o meu latim, outra vezes porque simplesmente não estou para me chatear, uma coisa é certa, quanto menos a pessoa me importa mais eu ignoro e menos falo, quanto mais gosto da pessoa, mais cruelzinha sou, mas é porque acho que é para o bem das pessoas... Ou então para me defender, defendo-me sempre com unhas e dentes, aí nunca deixo nada por dizer.

 

Gosto de sol, porque me deixa bem disposta. Não gosto de chuva, odeio sentir a cara e os pés molhados.
 

S: Tens um blog sobre cozinha, onde publicas várias receitas. Qual a tua especialidade?

M: Eu devo ter uma costela italiana. [risos] A minha especialidade são as massas, todos os ingredientes que tenho em casa são sempre uma grande oportunidade para experimentar uma massa nova, e adoro experimentar massas diferentes, com sabores, como a de azeitonas, a picante, a de caril, ... Sim, efetivamente eu um dia irei transformar-me num prato de massa gigante! [risos]

 

S: Algum prato que não correu tão bem, não sendo digno de publicação?

M: Sim, tenho as minhas desgraças culinárias, ou porque me esqueço da comida no fogão e deixo queimar, ou experiências com sabores desastrosos. Os desastres recentes foram um pudim que não solidificou, e uma pavlova que me desapareceu no forno, salgados é mais difícil correr mal, mas às vezes também acontece, lembro-me por exemplo de um caldo verde que ficou alaranjado porque exagerei na quantidade de chouriço que coloquei. Esse caldo verde apesar de delicioso daria uma foto horrível!... [risos]

 

S: Quem segue o teu blog percebe o quão gostas de viajar. Qual a tua viagem de sonho?

M: Tenho assim um sonho utópico de dar a volta ao mundo, e o meu grande objectivo de vida é conhecer o maior número possível de países. Mas focando-me numa só viagem, tenho de referir a Turquia, mais que Nova York ou Austrália. Tenho o sonho de ir à Turquia, mas com o clima de instabilidade devido ao terrorismo o sonho vai continuar a ser adiado... Mas continuarei a sonhar com uma viagem de balão na Capadócia, ou um mergulho nas Pamukkale [suspiros].

 

S: O que correu mal na tua relação com o teu pai?

M: Pois não sei... [suspiros] acho que fui rejeitada desde que nasci. A verdade é que a minha mãe engravidou por acidente e o meu pai casou com ela por ela ter engravidado e talvez por isso nunca nos tenhamos dado bem. O meu pai era uma pessoa muito egoísta que apenas pensava nele próprio, era uma pessoa muito bruta, muito autoritário, tudo era motivo de discussão. Não podíamos - nem eu nem a minha mãe - usar saias curtas, andarmos muito arranjadas, que ele dizia que isso era comportamento de prostitutas e não de meninas de bem. Como a minha mãe era uma pessoa muito passiva aceitava tudo sem ripostar, e eu não tolerava que ela aceitasse tudo e mais alguma coisa, e era eu que a defendia - alguém tinha de o fazer, não é verdade? [lágrimas] - e acho que sempre me viu como alguém que o enfrentava... Nunca lhe fui muito submissa. Falo de violência psicológica, o meu pai nunca bateu na minha mãe e a mim, bater a sério, quase a roçar o espancar só aconteceu uma única vez - por não ter lavado um tupperware [suspiros] - mas foi traumático porque foi à porta de casa com os vizinhos todos a ver... Mas como fiz as malas para sair de casa isso não voltou a acontecer. Sempre lhe fiz frente. Por exemplo houve uma altura que cismou com o Mulo, e queria mandar-me para a aldeia para me afastar dele, e eu disse que isso nunca iria acontecer. Ameaçou-me que me mandava para o hospital, e eu ameacei-o com a polícia. Acho que ele odiava que eu não tivesse medo dele, que era isso que ele gostava que as pessoas tivessem. Depois as coisas acalmaram porque ele teve muitos anos a trabalhar no estrangeiro e o pouco tempo que ele estava cá as coisas corriam bem. A gota de água foi quando eu descobri que o meu pai tinha ido para o Brasil com uma brasileira - e nós a pensar que ele estava a trabalhar no Algarve... [suspiros] - e contraiu dívidas e fui eu que invadi a conta de e-mail dele e que contei tudo à minha mãe, e então sempre me acusou de ser a culpada do divórcio.  Ele era uma pessoa sem noção... E depois do divórcio tentou prejudicar muito a minha mãe, roubou-lhe e vendeu todo o ouro que tinha, coisas antigas que tinham pertencido à minha avó... [suspiros] Foram tempos muito complicados, e eu cheguei a odiá-lo... Acho que ele também me odiou muito!

 

Gosto muito de gelados porque me deixa fresca e de bom humor. Não gosto do escuro, tenho pavor do escuro porque tenho medo de ver coisas que não consiga explicar.

 

S: Sentes que ele te deve um pedido de desculpas?

M: Já não... [suspiros] Eu neste momento não sinto nada por ele, não sinto saudades, não sinto rancor, nem ódio. Em tempos senti que ele me devia tudo e mais alguma coisa, porque ele nunca foi um pai preocupado, um pai com o qual eu pudesse contar, e sentia que ele me devia um pedido de desculpas mas ele sofreu muito antes de morrer, e acho que me senti vingada. Atenção que apesar de me sentir vingada não me sentia feliz, longe disso. Ver o meu pai no estado de dependência que vi foi algo horrível, e fez-me baixar a guarda e por muito que me custasse ir vê-lo ao IPO eu fui... e acho que cheguei a ver arrependimento nos seus olhos... [lágrimas] E acho que de certa forma o perdoei. Com a morte dele senti silêncio, silêncio e tranquilidade, finalmente eu e a minha mãe pudemos ficar em paz. Deixei por isso de procurar respostas e/ou justificações.

 

S: Ele já não está entre nós. O que gostarias de lhe dizer?

M: Isto de não sentir nada faz com que eu não tenha nada para lhe dizer. Acho que ao longo da vida já lhe disse tanta coisa que o ideal é não dizer mais nada... Em tempos quis compreender o motivo de ele não gostar de mim, ele disse que gostava e eu não acreditei, hoje simplesmente não quero saber... Estou bem, estou em paz, é o que importa. [sorriso]

 

S: Qual a tua relação com a tua mãe?

M: A relação com a minha mãe é fantástica. Passou por uma crise muito grande quando eu ainda era adolescente, passei por umas fases complicadas onde cheguei a fugir de casa... Ai a adolescência... [risos] mas quando eu saí de casa aos 20 anos ficamos muito unidas, e quase não somos mãe e filha, mas sim duas amigas. Falamos de tudo, trocamos roupas, e digo-te... Às vezes sou eu mais mãe dela do que ela minha. [risos] A minha mãe neste momento é uma verdadeira adolescente e eu às vezes passo-me com ela! Mas fica sempre tudo bem. [risos]

 

S: Muitas lágrimas se juntam quando conversam?

M: Não. Somos as duas muito choronas mas tanto ela como eu odiamos chorar na presença de pessoas, sejam elas quem forem. Mas uma coisa é certa, lágrimas não há, mas há muitos risos, que quando estamos juntas a casa vem abaixo! [muitos risos].

 

Gosto de praia porque me deixa relaxada e me faz descansar. Não gosto de sentir adrenalina, deixo de sentir as pernas e parece que o meu coração vai parar a qualquer momento.

 

S: Herdaste dela muitas qualidades, inclusive a sensibilidade. Quais as coisas dolorosas que te sentes incapaz de esquecer?

M: Eu tenho um grande problema - e também ela o tem - posso perdoar muita coisa mas não consigo esquecer. E tanto não esqueço uma atitude banal como a não devolução de um livro, como uma atitude mais grave, como uma traição. A dolorosa das dolorosas... A mentira! Não suporto que me mintam. Se me mentem uma vez, toda a vida vão levar com um "mas da outra vez mentiste...", efetivamente não consigo esquecer uma mentira por muito que até a consiga perdoar!

 

S: O que é um Educador Social?

M: Sabes que esta era uma pergunta que fazíamos constantemente aos nossos professores e eles nunca nos conseguiam responder? [risos] Mas... Muito resumidamente, um educador social é, um mediador social que tem como propósito ajudar os sujeitos a integrar-se em sociedade, que por alguma razão vivem à margem. Normalmente trabalha numa equipa multidisciplinar e deve promover o bem estar dos indivíduos. Não é competência de um educador social dizer a um indivíduo o que é que este deve fazer com a sua vida, mas antes ajudá-lo a encaminhar a vida num outro sentido, se essa for a sua vontade. Regra número um do educador social, o educador nunca impõe nos outros a sua vontade - como acontece muito com os assistentes sociais - só os sujeitos é que podem querer mudar, e são os sujeitos que sabem o que é melhor para si. O educador não impõe, só apoia e dá ferramentas para as pessoas conseguirem alcançar a mudança. Podemos trabalhar com crianças e jovens em risco, com idosos, com prisioneiros, com desempregados, com minorias étnicas.... Podemos fazer muita coisa, e não podemos fazer nada na realidade porque é uma área que em Portugal não há investimento. [suspiros] Ou seja, há muito trabalho para se fazer, muitas pessoas que necessitam de "educação" mas não há contratações de equipas de apoio.

 

S: Alguma vez te arrependeste de tirar essa licenciatura?

M: Não. Aprendi muito com o curso. Aprendi não só para a profissão mas para a vida, aprendi a ser melhor pessoa e a eliminar muitos dos preconceitos que possuía. O curso é quase um curso de autoconhecimento, com muitas cadeiras de evolução pessoal, como é o caso do Sociodrama e de Desenvolvimento Pessoal e Social, onde testávamos os nossos limites pessoais e sociais e onde descobríamos coisas sobre nós que não sabíamos, porque nunca tínhamos pensado muito nisso. Eu por exemplo aprendi a confiar. Quando iniciei o curso não conseguia fazer aquele jogo de me atirar e o meu colega me suportar antes de cair... Não sei se sabes qual é... Acabei o curso a conseguir fazer isso de olhos fechados, mas isso implica um grande trabalho do professor - que neste caso era uma professora que era terapeuta - e empenho dos alunos. Tive também aulas de teatro, de expressão motora, e estagiei em três âmbitos totalmente diferentes, foi realmente um curso muito rico.

 

S: Sentes-te inferior, ou menos realizada, por trabalhares atrás de um balcão de uma loja?

M: Não me sinto inferior, porque tenho um trabalho honesto e ganho o meu dinheiro sem depender de ninguém, mas sinto-me efetivamente menos realizada. Sinto-me triste por ter estudado tanto tempo, por sentir que tenho vocação para trabalhar com pessoas e estar confinada a um balcão a ganhar 500€ por mês. Sinto-me ainda mais frustrada porque tentei entrar para mestrado e nem aí me aceitaram apesar de ter concluído o meu curso com quase 17 valores de média - para o ano quero voltar a tentar mas já não tenho esperanças [suspiros]. A verdade é que tenho capacidades para mais e estou num trabalho que não me permite evoluir - a não ser  a nível linguístico - e acima de tudo monetariamente... É que se eu ficar sem emprego o Mulo consegue segurar as contas, mas o contrário já não é verdade e isso às vezes faz-me sentir um pouco inútil, confesso.

 

Gosto de música porque consigo expressar-me mais facilmente através dela. Não gosto de silêncio, porque tenho pavor da solidão.

 

S: O dia 19 de junho de 2016 foi o dia mais importante da tua vida?

M: Sem dúvida que sim. [sorriso] O dia mais importante e mais feliz da minha vida! Apesar de não mudar nada - e mudar tanto.... - porque já moramos juntos há 8 anos,  a verdade é que sempre foi o meu sonho, e apesar de não ser o sonho dele foi maravilhoso ver-lhe o sorriso aberto estampado no rosto quando eu entrei e ver o nervosismo dele, porque os nervos significam preocupação e só nos preocupamos quando queremos, quando amamos. Fui a noiva mais feliz do mundo e até um tio dele disse "Só para ver esse sorriso, já valeu a pena ter cá vindo! Nota-se que estás mesmo feliz!" [lágrimas]

 

S: O que sente uma noiva quando diz o sim?

M: [suspiros] Olha.... [risos] Não faço ideia! É um turbilhão de sentimentos que não se explicam. A mão dele tremia, a minha mão tremia, parecíamos dois virgens inocentes com medo da noite de núpcias apesar de já estarmos juntos à 13 anos e dividirmos casa à 8.

 

S: O Mulo é o homem da tua vida? Consegues explicar porquê?

M: O Mulo é mesmo o homem da minha vida! Não sei explicar muito bem porquê até porque somos os dois muito diferentes. Mas completamo-nos e eu tenho muito orgulho nele. Ele é a pessoa mais inteligente que eu já conheci e compreende-me como ninguém. Não precisamos de falar para sabermos o que o outro está a pensar e a sentir, o que é ótimo quando queremos gozar com alguém para esse alguém não perceber [risos].

 

S: Pensas que serás uma boa mãe? Do que tens medo?

M: Confesso que estou bastante ansiosa para ser mãe o relógio biológico há muito que tilintou [suspiro]. Creio que vá ser uma boa mãe, tive um excelente exemplo e acho que isso é meio caminho andando. Agora... Claro que tenho muitos medos [suspiro], medo de não conseguir dedicar todo o tempo que desejo, medo de não conseguir lidar com a minha falta de tempo... [suspiro] Eu sou bastante preguiçosa, adoro dormir até tarde, se estiver sozinha, muitas das vezes não cozinho e isso tem de acabar, e temo não conseguir assimilar bem tudo isso. Tenho também medo de não ter paciência... Apesar de tudo acho que ter medo é saudável porque quer dizer que nos importamos, que nos preocupamos.

 

S: És feliz?

M: Eu tenho uma opinião muito própria sobre o conceito de felicidade. Eu não sou feliz porque para mim a felicidade não existe. Tenho muitos momentos felizes – mais felizes do que tristes – mas também tenho os meus momentos em que me apetece mandar tudo para o ar, desaparecer e recomeçar tudo de novo. Mas estou bem com a generalidade da minha vida, adoro o homem que tenho do meu lado, tenho uma casa minha, sou independente financeiramente, mas seria mais feliz – ou teria momentos mais felizes – se tivesse um emprego mais estável e mais desafiante, se tivesse uma casa maior e se tivesse mais tempo e mais dinheiro para fazer aquilo que gosto [suspiros]. Agora... não consigo ser propriamente feliz aprisionada numa rotina que odeio, e limitada por um salário que não me satisfaz. Quando olho para uma montra e vejo uma carteira – ou outra coisa qualquer - lindíssima que não está ao meu alcance, não sou feliz, apesar de existirem criancinhas em África a passar fome e eu ter uma dúzia de carteiras em casa... Mas sou muito feliz quando os meus pés tocam na água do mar e vejo o rebentar das ondas. Sou feliz quando tenho a companhia perfeita e um pôr-do-sol à frente. Sou feliz quando chego a casa depois de um dia de trabalho e não sou eu a fazer o jantar. Mas sou imensamente infeliz quando me recordo que falta um elemento muito importante na família [lágrimas], que apesar de ser apenas um gato como muitos dizem, era um filho para mim e não há um único dia que não sinta tristeza quando chego a casa e não o encontro, quando obviamente não o encontro. Isto pode parecer muito mal, mas senti muito mais a morte do meu gato que a morte do meu pai... Mas adiante [lágrimas], sou muito fácil de fazer feliz, sou uma mulher de gostos muito simples e grande fã de gestos bonitos mas por outro lado sou uma mulher que desanima com alguma facilidade, que se entristece com a mesma facilidade com que sorri... Vivo por isso no limbo da felicidade.

 

S: O que consideras indispensável na tua vida?

M: O amor. Tirem-me tudo mas não o amor, acho que não sei não amar. Imagino-me a viver contando os tostões e a não conseguir fazer nada do que gosto por falta de dinheiro, desde que tenha comigo amor, mas não me consigo imaginar ser rica e a viver sozinha sem amor. Acho que amar e ser amado é meio caminho andado para se ser feliz. Viva a teoria de um amor e uma cabana.

 

S: Na tua opinião, enquanto educadora, qual é a coisa mais importante que uma pessoa pode aprender?

M: O respeito pelo outro. Quando há respeito pelo outro, tudo o resto vem por acréscimo, quando não há respeito... Então não há nada.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

M: Nomes difíceis de apagar já tenho demasiados, quem me dera conseguir apagar alguns [suspiro]; desenhar o meu futuro com um compasso também estaria fora de questão que um compasso é demasiado rígido e gosto de surpresas e acho que linhas mais tortas também fazem parte, se a vida fosse tão linear seria um verdadeiro aborrecimento; não uso a régua para medir as alegrias que acho que a felicidade não está ao alcance de um medidor. Fico assim em dúvida entre uma borracha para apagar da memória algumas partes do passado ou um lápis para escrever o futuro... Porque no futuro é que está o caminho, acho que gostaria de escrever algumas coisas – não tudo que caso contrário a vida perderia a piada – mas escreveria alguns desejos de olhos fechados na esperança que se concretizassem, como a viagem à Turquia por exemplo!

 

S: Obrigado Mula, foi um gosto enorme conversar contigo.

M: Obrigada eu por esta oportunidade. Puseste-me a pensar muito em muitas coisa, fizeste-me suspirar e choramingar mais do que desejaria, mas as dúvidas e as lágrimas também fazem parte da vida e sem elas não evoluiríamos, certamente.

13
Jul16

Que raio de sonho!

Filipe

Esta noite tive um sonho/pesadelo tão estúpido e sem sentido nenhum! Se houver por aí alguém que perceba algo de interpretação de sonhos então peço que leia este post até ao fim. Quem não perceber, pode sempre dar umas boas gargalhadas, pois o que vou contar a seguir é algo assim inédito!

 

Ora para começar eu estava vestido de uma forma estranha, fardado de tropa. Não me perguntem porquê, eu não faço ideia. Até pensei em tirar uma foto para colocar no facebook para obter muitos likes, as pessoas não resistem a uma farda.

 

Assim do nada, vi-me dentro de um torneio de artes marciais, mesmo do tipo Dragon Ball e soube que ia combater! Ah?? Fiquei apavorado, pois as minhas técnicas de luta são nulas! Mas esperem, isto vai piorar.

Antes de começar o torneio, todos os combatentes foram almoçar fora. E adivinhem lá quem é que andou a servir às mesas?! Eu claro! Ainda por cima.

Como se isso não bastasse, tive que cortar toda a carne de um porco inteiro cru com uma faca pequenina que cortava tão mal...

No fim andava tudo a tirar selfies e ninguém quis tirar nenhuma comigo.

 

O mais incrível de tudo isto é que no meio dos combatentes, prontas para combater, estavam a minha mãe e a minha professora de português...

Que raio de sonho!!

12
Jul16

Porque isto não são só blogs

Filipe

Não, nós não somos apenas pessoas que gostam de escrever coisas sem importância que nos vêm à cabeça, somos muito mais que isso; não somos apenas pseudónimos, somos humanos; não comentamos os blogs uns dos outros só para ter mais visibilidade, nós gostamos mesmo uns dos outros, como se de uma família se tratasse.

 

Isto não são só blogs. São toda uma partilha de conhecimentos, de exemplos, desabafos, devaneios, risos, lágrimas. Carinho.

Ontem recebi este livro na minha caixa do correio, com uma mensagem muito especial, da nossa querida Pink Poison.

 

Todos os dias agradeço cada comentário, cada palavra de apoio, cada gesto de carinho que têm comigo, cada mensagem especial na minha caixa de e-mail... Agradeço tudo aquilo que me dão. Até tenho medo de estar a ser repetitivo mas é esta a minha forma de gratidão, tão simples e humilde.

 

Mas hoje, quero agradecer especialmente a alguém que conheço há muito pouco tempo, mas que tornou-se numa grande amiga! Nunca ninguém teve um gesto de carinho como este para comigo, o de dar sem receber nada em troca, sem segundas intenções, e isso deixa-me tão emocionado!!

 

OBRIGADO minha querida. Obrigado de coração. Vou guardar tudo com um enorme carinho, até o envelope, em gesto de gratidão eterna.

 

IMG_20160712_151142.jpg

 

12
Jul16

As músicas das chamadas em espera

Filipe

Aqui há uns dias atrás, quando liguei para a empresa de telecomunicações da qual sou cliente (não vou dizer qual é porque ninguém me paga para fazer publicidade), após expor o problema, perguntaram-me se poderia aguardar um pouco em linha para a senhora poder verificar o que se estava a passar. Eu disse que sim, que remédio, e então começou a tal musiquinha que nos colocam a ouvir quando esperamos.

 

Poderiam ter colocado uma música clássica, uma música antiga até, um tiriri qualquer, mas não. Asseguro-vos de que a música que me puseram a ouvir parecia mesmo aquelas músicas de boates! Não é que tenha visitado alguma atenção! Digo isso porque já vi em filmes, novelas e etc.

A sério que tentei, tentei mesmo, mas os meus pensamentos são mais fortes que a minha resistência, e então imaginei que a senhora que me atendeu, que demorou imenso a retomar a chamada, estivesse a fazer algum número de strip, ou alguma dança num varão, para todos os seus colegas...

 

Já estava tão farto de ouvir aquela música... À medida que o tempo passava, a música aumentava de som, a batida era cada vez mais forte, entrava-me pelo ouvido e até dei por mim a mexer a anca ao som da música, a dançar pela cozinha fora com o telemóvel no ouvido, ao menos para passar o tempo. Um espetáculo digno de ser visto!

 

Epá no mínimo poderiam optar por outros tipos de música, tipo o "If you wanna be my lover". De certeza que as chamadas em espera eram bem mais animadas. Para mim eram de certeza.

É que não há pachorra!

 

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11
Jul16

A azia da França

Filipe

Hoje em toda a comunicação social, nos blogs, no Facebook, fala-se na vitória de Portugal no Euro 2016. Existe uma euforia total de alegria!

Eu confesso que não estava muito confiante no jogo de ontem, ao assisti-lo estava tão nervoso que não conseguia parar quieto, então arrumei a cozinha toda à minha mãe, com direito a limpeza de banca e tudo!

 

Ganhamos, com alguma dificuldade, mas conseguimos! Que grande orgulho nacional. No entanto, aconteceram coisas que me deixaram bem indignado em relação a certos comportamentos por parte da equipa francesa.

Em primeiro lugar, aquele pontapé sofrido por Cristiano Ronaldo, epá digam-me o que disserem, na minha opinião foi propositado. A equipa já sabia que o melhor do mundo estava lesionado naquela perna ou joelho e quiseram arruma-lo logo ali, a cerca de 20 minutos do jogo ter começado. Ou seja, os franceses jogaram sujo.

 

Mas nem assim conseguiram impedir-nos de ganhar a taça europeia com um grandioso golo de Éder.

Segundo o que me disseram, os portugueses aplaudiram quando a equipa francesa recebeu umas medalhas. Quando Portugal recebeu a taça, os franceses estavam-se marimbando para nós. Até os papeizinhos brilhantes eram azuis, vermelhos e brancos. Poderiam ser mais discretos, mas esta é apenas a minha opinião, de um cidadão que não entende patavina de futebol.

 

Depois foi a vez de as luzes que iluminaram a Torre Eiffel se apagarem, num luto pela perda francesa, sem acenderem as cores da nossa bandeira, felicitando-nos. Ou seja, mau perder!

Também já ouvi uns rumores de que a França diz sermos uns nojentos... Sem palavras!

 

Bem, depois de tudo isto, só me resta dizer uma coisa: não sei se em França existe Rennie, passo a publicidade, mas digo que é um bom remédio para a azia. Ou então reumon gel, para a dor de cotovelo!

 

keep-calm-que-para-a-azia-existe-rennie-1.png

 

10
Jul16

A palavra "apolear"

Filipe

Depois deste texto onde falo de uma palavra muito usual mas que não existe, vou continuar a saga com uma outra palavra que ouço muito para estes lados.

A palavra apolear.

 

Apolear = atirar

 

Vejamos alguns exemplos:

"Eu apoliei o garfo para a banca";

"Tu apoleaste pra ali!";

"Ele apoliou-o e nunca mais o vi";

"Nós apoleamos as pedras ao lago";

"Vós apoleastesiu";

"Eles apolearam os brinquedos".

 

A língua portuguesa é muito engraçada na boca de algumas pessoas. A palavra apolear existe, mas em contexto muito diferente.

Vejam.

 

a·po·le·ar
verbo transitivo

Dar tratos de polé a; polear.

Palavras relacionadas: apoleação.

"apolear", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/apolear [consultado em 10-07-2016].

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