Peter Pan e a Terra do Nunca
Está frio e decido colocar mais um cobertor na cama para dormir bem aconchegado. Visto o pijama quentinho e deito-me, os lençóis macios envolvem-me, e fecho os olhos já pesados.
De repente, eis que ouço uma batida leve no vidro da minha janela. Depressa me levanto e, com o coração um pouco acelerado, olho na sua direção. Através do vidro transparente, uma figura bem conhecida no mundo da animação, acena-me e sorri-me. É o Peter Pan, com o seu cabelo ruivo e o seu chapéu verde enfeitado com uma pena, completamente suspenso no ar. Eu retribuo o sorriso e também o aceno, ainda meio envergonhado, e abro a janela de par em par, onde uma brisa noturna fria me acerta em cheio no rosto.
- Vem comigo - diz-me a figura animada.
- Para onde? - perguntei.
- Para a Terra do Nunca!
- Mas eu não sei voar...
Ele ri da minha resposta e logo sopra um pó mágico na minha direção que deixa o meu corpo mais leve e, quando dou por mim, já estou a escassos metros do chão, como se a força da gravidade tivesse deixado de existir.
Sigo-o para fora do meu quarto, em direção à lua e às estrelas. Quando olho para baixo vejo a janela do meu quarto aberta, já longe, pequenina. A minha aldeia adormecida e iluminada por algumas luzes públicas azuis, não era mais que um ponto minúsculo vista do céu na vasta imensidão da terra que os meus olhos conseguiam albergar.
Dirijo-me para outro lugar que desconheço, mas que logo desperta a minha atenção. É uma terra muito bonita, cheia de fadas sorridentes que colhem o pólen das flores e nos presenteiam com o seu néctar doce e saboroso.
Vivi tantas aventuras e temi o Capitão Gancho. Ri com a Sininho e voei entre vales e montes.
De manhã, quando acordei, tinha na minha mesa de cabeceira um botão colorido, um passaporte para a Terra do Nunca! Bastava aperta-lo na minha mão e deixar a minha imaginação flutuar.
Tinha 7 anos, e os sonhos faziam-me sorrir e correr.


