O abandono dos animais
Esta semana, pela minha zona, apareceram cinco cães, de tamanhos e raças diferentes, que se passeiam por estas ruas, em busca de comida. Ladram para os carros que passam, um ladrar cheio de raiva, talvez reclamando de algo a quem não tem culpa do seu abandono. Por vezes, quase que são atropelados por algum condutor mais distraído, pois os animais também andam no meio da estrada, perdidos e sem rumo a seguir, apenas querem saciar a fome nos contentores do lixo dispersos pelas ruas da minha aldeia.
Vê-los entristece-me imenso, pois tenho a certeza absoluta que se trata de animais abandonados por donos negligentes e sem coração, desprovidos de qualquer sentimento. Foram de férias e deixaram os seus animais entregues à sua sorte.
Enquanto os donos comem, bebem e se divertem, estes pobres animais passeiam-se pela rua sem rumo, arriscando a própria vida, comem o pouco que resta nos contentores e não bebem a água da rua, pois ela não existe com este calor.
Entristece-me saber que existem pessoas neste mundo capazes de tamanho ato. Arrisco-me mesmo a dizer que são estas as pessoas, desprovidas de sentimentos de afeto, que são bem capazes de abandonar um filho ou até um idoso num lar qualquer, pois leva-los seria mais um estorvo e gasto de dinheiro.
Peço a Deus, um Deus em que eu não acredito muito mas que ainda prezo, que estas pessoas não sejam também abandonadas um dia.

