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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

05
Ago16

A caça aos grilos

Filipe

Se havia coisa que adorava em criança eram as férias grandes de verão, quem não gostava? Acordava sempre cedo para aproveitar cada hora do dia livre que tinha pela frente, não porque tinha muita coisa para fazer, mas sim porque queria desfrutar de cada minuto das minhas férias.

Tomava o meu pequeno almoço e lia os meus livros de banda desenhada do Mickey e do Pato Donald com o Tio Patinhas a contar cada moeda que tinha guardada no cofre ou então a mergulhar nelas. Achava tão engraçado e entristece-me ver que atualmente não existe muitos desses livros à venda.

Não lia só os livros de banda desenhada, mas também os livros da coleção Uma Aventura, devorava-os a todos sempre que a minha mãe me brindava com a compra de um exemplar.

 

Noutros dias apetecia-me mais caminhar pelos campos fora, sentir a brisa matinal e fresca, sentir o cheiro da terra molhada proveniente da rega dos grandes campos de milho verde, intermináveis.

Por vezes, sentava-me perto de uma fonte e imaginava a minha vida de outra forma, embalado pelo canto da água que formava um pequeno riacho.

 

Almoçávamos sempre na mesa da sala, que era o lugar mais fresco da casa, uma salada de alface caseira para acompanhar, e uma gasosa para apagar uma sede infinita que todas as crianças têm e que também pode ser chamada de gulodice.

Via as novelas e via o Batatoon e comia muitas sandes de manteiga para acompanhar.

 

À tardinha, era a hora da caça aos grilos. Caminhávamos pé ante pé pelo campo para ouvir onde se escondia o grilo que cantava, um cri cri que desvanecia mal nos aproximássemos. De seguida, procurávamos entre a erva para ver onde estava o buraco, a casa do grilo, e depois, enfiávamos uma palha seca no orifício dizendo: Gri gri, anda aqui que eu já te vi!! E o grilo saía de sua casa e apanhávamo-lo com as mãos e fechávamo-lo na gaiola para ele cantar à noite só para nós.

Às vezes, colocávamos água no buraco e o grilo, aflito, saía imediatamente de sua casa para logo depois ser apanhado.

 

Uma infância tão feliz que deixa saudades para sempre.

 

MHP1891ACacaAosGrilos_ma.JPG

 

29
Jul16

O abandono dos animais

Filipe

Esta semana, pela minha zona, apareceram cinco cães, de tamanhos e raças diferentes, que se passeiam por estas ruas, em busca de comida. Ladram para os carros que passam, um ladrar cheio de raiva, talvez reclamando de algo a quem não tem culpa do seu abandono. Por vezes, quase que são atropelados por algum condutor mais distraído, pois os animais também andam no meio da estrada, perdidos e sem rumo a seguir, apenas querem saciar a fome nos contentores do lixo dispersos pelas ruas da minha aldeia.

 

Vê-los entristece-me imenso, pois tenho a certeza absoluta que se trata de animais abandonados por donos negligentes e sem coração, desprovidos de qualquer sentimento. Foram de férias e deixaram os seus animais entregues à sua sorte.

Enquanto os donos comem, bebem e se divertem, estes pobres animais passeiam-se pela rua sem rumo, arriscando a própria vida, comem o pouco que resta nos contentores e não bebem a água da rua, pois ela não existe com este calor.

 

Entristece-me saber que existem pessoas neste mundo capazes de tamanho ato. Arrisco-me mesmo a dizer que são estas as pessoas, desprovidas de sentimentos de afeto, que são bem capazes de abandonar um filho ou até um idoso num lar qualquer, pois leva-los seria mais um estorvo e gasto de dinheiro.

Peço a Deus, um Deus em que eu não acredito muito mas que ainda prezo, que estas pessoas não sejam também abandonadas um dia.

 

shutterstock_6791830.jpg

 

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