Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Jul16

Memórias - Domingos da minha infância

Filipe

Sempre acordei muito cedo, mesmo ao domingo, o dia em que a maioria das pessoas aproveita para descansar mais um pouco.

A minha mãe nunca tinha trabalho comigo, sempre fui independente desde pequeno. Levantava-me sem ser preciso chamar por mim, preparava o meu pequeno almoço, vestia-me e calçava-me e saía de casa até à paragem do autocarro que apanhava para ir para a escola.

 

Mas aos domingos era diferente, era sempre um dia especial, principalmente de manhã, pois ao fim do dia já algumas borboletas passeavam pelo meu estômago, aquela ansiedade de saber que no dia a seguir tinha aulas.

A minha mãe também acordava cedo ao domingo de manhã, bem cedo, para fazer algo que todos nós recordamos com muita saudade, ainda nos dias de hoje. Acender o forno a lenha para cozinhar uma grande assadeira de carne assada, com arroz.

 

Ligava o rádio e, ao som do folclore, preparava o nosso pequeno banquete. Eu acordava sempre a ouvir a voz do locutor da rádio informando os seus ouvintes da próxima música que iria tocar, e lá começava aquela melodia tipicamente portuguesa que dá logo vontade de dançar. Ainda consigo sentir o cheiro e ouvir o crepitar das chamas que lambiam as achas, aquecendo assim o forno para receber a assadeira completa e cheia do tempero característico e diferente da minha mãe.

O forno já era velho e, para o fechar, era preciso fazer uma massa com água e farinha para tapar os buracos. A farinha secava e ficava dura, tão dura que para a retirar era preciso usar uma faca.

Eu e as minhas irmãs brincávamos muito com a massa que sobrava, era a nossa plasticina.

 

Digam-me o que disserem, não há comida melhor que um bom assado num forno de lenha, não há melhor! A carne ficava tenra, saborosa; as batatas tostadinhas e cheias de molho que nos dava água na boca só de olhar; o arroz de forno, o meu preferido, tostadinho por cima e de um sabor incomparável!

 

A minha mãe por vezes diz: "que saudades eu tenho do meu forno a lenha" e eu concordo em absoluto com ela. Vivíamos numa casa que não tinha muitas condições de habitação, mas éramos muito felizes à nossa maneira. Ficam para sempre as recordações.

 

03
Jul16

O que se passa com as mães deste país?

Filipe

Por norma já não vejo muito o telejornal. Vê-lo deixa-me num estado de preocupação, de desânimo, por aquilo em que a nossa sociedade se está a tornar. E então, ultimamente, tem sido uma desgraça completa de crimes hediondos.

 

O que se passa com as mães deste país? Volto a perguntar, desta vez em negrito, a cor do luto por todas as crianças que têm sofrido horrores nas mãos destas progenitoras. Aliás, chama-las de mães é uma ofensa para todas as mães com um M grande que certamente ainda existem, não só neste país, mas também por esse mundo fora.

 

Eu não sou pai. Não sei qual o sentimento de amor por um filho, mas faço ideia de que seja um amor tão grande, incondicional, capaz de tudo! E não acredito, nem por um momento, que esse amor seja capaz de matar, por qualquer razão.

 

E fico por aqui, pois não me quero alongar muito mais neste assunto. Quero apenas, desta forma simples, mostrar a minha solidariedade para todos os anjos que partiram e que nos deixam o coração mais pesado, sabendo desta triste realidade que está a ensombrar o nosso país.

 

palavra-mae-decorativo.jpg

 

31
Mai16

A curiosidade da minha mãe

Filipe

A minha mãe é uma das pessoas mais curiosas que conheço. E para comprovar isso vou contar-vos uma situação que se passou ontem.

 

A folga da minha mãe é à segunda-feira. Nesses dias vamos sempre dar uma volta pela cidade mais próxima. Ora então estávamos nós a caminhar um pouco quando ela viu uma carta abandonada num banco, uma carta do centro de emprego.

Adivinhem lá o que ela fez!

Ela dirige-se até à carta, pega na carta, saca dos óculos que estão na bolsa dela, coloca os óculos, vê o nome do destinatário a quem era dirigida a dita cuja, retira a carta do envelope, lê a carta na sua totalidade e comenta comigo o que está escrito na carta.

Diz-me que é uma convocatória para uma formação a ser realizada num centro de formação onde eu já estudei.

 

Eu respondo-lhe "ó mãe a sério?! Deixa isso!!". Eu estava a olhar para todos os lados para ver se alguém estava a presenciar a cena dela, todo envergonhado.

 

Ela volta a colocar a carta dentro do envelope e volta a deixa-la no mesmo sítio onde ela estava. Põem os óculos dentro da bolsa e continua o seu passeio como se nada tivesse acontecido.

 

E agora eu pergunto: existe alguém mais curioso que ela? Parece-me que não!

 

persona-curiosa.jpg

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D