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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

07
Mar17

E quando acabar a Sertralina?

Filipe

É um comprimido que tomo sempre de manhã, a seguir ao pequeno-almoço; eu e outros milhões de pessoas por este mundo fora. Se, porventura, me esquecer de o tomar, o meu corpo faz questão de me lembrar da ausência desse fármaco num turbilhão de sentimentos confusos e contraditórios, como se eu já não tivesse qualquer controlo sobre mim. Quando o tomo é como água fria numa fervura, lentamente as tremuras nos dedos e o nervoso miudinho desvanecem-se, regresso ao meu estado normal - ou melhor dizendo: aquele estado que eu considero como aceitável -, o meu raciocínio volta a trabalhar, um sorriso aflora-me nos lábios e eu respiro de alívio.

 

Quando era criança sempre dizia que nunca seria dependente de qualquer tipo de "drogas" ou outros vícios. Hoje, já adulto, pelo menos é assim que me descrevem, já não penso assim. Sou dependente de uma droga, de um vício, chamada Sertralina.

É ela que me dá energia para que consiga suportar o meu dia, tornando-o mais leve, mais fácil de carregar; é ela que me dá ânimo na minha busca incansável pelo meu bem-estar; é ela que oferece um pouco de cor aos meus dias cinzentos; é ela que me faz acreditar que eu sou um ser humano racional.

 

Porém, um dia, a Sertralina vai deixar de existir na minha vida. Certamente que irá fazer parte da vida de outras pessoas que, infelizmente, padecem do mesmo. Mas eu agora quero ser um pouco egoísta e pensar só em mim. E quando acabar a Sertralina? Quem, ou o quê, me vai ajudar nesta batalha difícil que travo todos os dias contra o meu corpo? Será que existe uma espécie de cura para os dependentes da Sertralina? Não existe. Ela é como um desgosto de amor, quando deixa de fazer parte da nossa vida, temos de aprender a viver sem ela. A vida continua.

 

Penso que ainda me faltam alguns meses até esse fármaco me ser retirado, aos poucos claro está. A pergunta, da qual decidi dar como título a este texto, paira na minha cabeça como um enxame de abelhas. Tento afastá-la, escondo-a bem lá no fundo mais recôndito da minha mente, para que assim ela desapareça mas, às vezes, ela volta a atacar-me e eu não tenho resposta para lhe dar. E os dias vão passando...

 

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02
Nov16

No supermercado...

Filipe

Gosto pouco de ir às compras, e quando tenho mesmo de as fazer, é sempre uma chatice da qual não tenho lá muita paciência. Nunca sei onde estão as coisas que quero e por isso mesmo ando de corredor em corredor feito uma barata tonta também para ver se não me esqueço de qualquer coisa, o que acontece muito frequentemente. Quando encontro o que eu quero, vejo e comparo todos os preços, quantidades e afins para poupar ao máximo e, por conseguinte, demoro imenso tempo!

 

Quando chego à caixa já vou preparado para todas as perguntas que vou respondendo quase automaticamente, por vezes sem paciência nenhuma.

Funcionária - Boa tarde. Cartão cliente, tem?

Eu - Não.

- Não quer aderir para ter descontos e mais poupanças...

- Hoje não.

- Vai desejar saco?

- Não.

- Quer comprar uma das nossas revistas que têm cupões de desconto e várias receitas muito boas?

- hã... Não.

- Quer levar os pasteis de nata que estão em promoção? Leva 6 e paga só 5.

- Não.

- Vai desejar inserir o número de contribuinte na fatura?

- Não.

- Quer contribuir com 20 cêntimos para ajudar a instituição não sei quantas?

- Sim, pode ser (eu já a perder a paciência).

- São 20,50€. Não tem 50 cêntimos? Assim dava-lhe 30€...

- Não.

- Só um momento que eu tenho que chamar a minha colega para me dar moedas.

(Oh meu Deus!!!)

Passados 2 minutos...

- Obrigado e boa tarde e boa semana.

- Adeus.

 

Eu sei que as funcionárias da caixa são obrigadas a fazerem estas perguntas todas mas é que eu não tenho mesmo paciência!!

04
Ago16

Dúvidas existenciais

Filipe

Todos nós já nos questionamos, pelo menos uma vez na vida, sobre a importância da nossa existência neste mundo. Aquelas típicas perguntas: "mas afinal que faço eu neste mundo?"; "será que faço falta a alguém?"; "Se desaparecesse alguém sentiria a minha falta?"; "qual o motivo de todo este sofrimento?"...

 

Eu questiono-me sobre isso por diversas vezes, talvez porque acredito que todos nós nascemos com um propósito, um objetivo. Só que eu ainda não encontrei o meu.

Os dias vão passando, vivo-os um de cada vez. Gostava de vos dizer que os vivo intensamente, mas não é isso que acontece. Vejo-me com 30 anos e sem objetivos de vida, sem trabalho, sem perspetivas futuras, sem rumo, e faço tantas perguntas a mim mesmo para as quais não tenho resposta, nomeadamente algumas delas que referi acima.

 

É claro que tenho pessoas que gostam muito de mim, a minha família, os meus amigos (poucos) e, com certeza, que sentiriam a minha falta, se eu, por algum motivo, decidisse desaparecer. Atenção que não ponho isso em causa.

 

Estes pensamentos negativos assolam a minha mente, já de si bastante confusa e extremamente preocupada, que por mais que me esforce para não lhes dar importância eles acabam sempre por vencer.

Contudo, há que focar nos aspetos mais positivos, e essas dúvidas existenciais deixam de fazer sentido.

 

Se não fosse eu, a minha irmã muitas vezes ficaria sem jantar, pois ela não sabe cozinhar; se não fosse eu, quem levaria a minha sobrinha ao infantário?; se não fosse eu, a quem pediriam conselhos?; se não fosse eu, com quem partilhariam emoções e alegrias?

 

Nos últimos dias a minha cabeça tem andado tão confusa que não me apetece pensar em nada. Até esta publicação para mim não faz sentido nenhum e deixo-a assim, em aberto, pois não sei como termina-la.

 

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