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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

18
Nov16

Injustiça

Filipe

Hoje tive necessidade de escrever mais uma publicação. Não sei por onde começar mas, hoje, quero escrever sobre uma injustiça.

Há cerca de meio ano atrás, e por conselho da minha psiquiatra, decidi inscrever-me no Centro de Dia da minha zona para fazer voluntariado. Deixei os meus dados e a funcionária disse-me que, quando houvesse a próxima reunião da direção, onde a Presidente da Junta da Freguesia também faz parte, que ia expor o caso e que depois dizia-me alguma coisa. Nunca me ligaram.

Voltei lá algumas semanas depois para saber o que tinham decidido. Foi a própria Presidente da Junta que me atendeu e informou-me de que, por enquanto, não estariam a precisar de mais ninguém, nem para fazer voluntariado.

 

Hoje, soube por intermédio de outra pessoa, que a Presidente da Junta diz precisar de pessoal para trabalhar no centro de dia e queixa-se de que não tem candidaturas. Uma espécie de: "preciso de alguém para trabalhar e ninguém quer!". Eu ofereci-me para fazer voluntariado no centro de dia, ofereci-me para trabalhar DE GRAÇA, e fui informado de que não haveria lugar para mim.

Posto isto, eu pergunto: quem sou eu, aos olhos dos outros? Consideram-me como um incapaz? Um inútil? Um objeto que ninguém quer usar? Um lixo que é chutado para canto?

É assim que eu me sinto neste momento.

 

19
Mai16

Aconteceu!

Filipe

Numa terça-feira, aqui há uns meses atrás, saí de casa com o intuito de arranjar trabalho como tantas vezes faço. A minha irmã disse-me que numa certa e determinada empresa de calçado estavam a recrutar novos colaboradores.

 

Cheguei à referida empresa e disse ao que vinha. Fizeram-me uma pequena entrevista e decidiram dar-me uma oportunidade de três dias para mostrar aquilo que sabia fazer no ramo, e depois logo decidiam se realmente ficava ou não com o emprego.

 

Claro que fiquei logo todo eufórico, pois ao tempo que andava à procura de uma oportunidade, por pouco que seja, é que já nem se trata de questões económicas mas também de questões psicológicas. Estar em casa tanto tempo não dá um bom resultado mental, asseguro-vos. É ver as dificuldades a aumentar, as contas que não param de crescer, e eu a sentir-me um completo inútil sem uma resolução possível. É desgastante, desesperante!

 

Comecei a trabalhar numa quarta feira. A princípio a coisa não estava a correr muito bem. O trabalho era como cortador de calçado, mas não era à maquina, era cortar a pele toda à mão. A única experiência que tinha era de uma pequena formação que tirei, não era assim nada muito produtivo. No entanto, as horas passaram e o trabalho já estava a correr bem melhor. Vai tudo da prática que ao longo do tempo vamos adquirindo. Fiz logo novos amigos, estava bastante contente, finalmente estava a fazer parte de uma sociedade normal!

 

No final do dia de quinta-feira chamaram-me para uma reunião que ia decidir o meu futuro naquela empresa. Então não eram três dias de experiência? Pois, parece que não foi necessário...

Todo eu tremia, o meu futuro estava nas mãos de três pessoas que estavam na minha frente e que me pediram amavelmente que me sentasse, de rostos fechados. Chefe de secção, diretora de recursos humanos, diretor geral.

 

A conversa foi mais ou menos isto:

 
Diretor: O feedback que temos de si é bastante positivo. No entanto, procuramos uma pessoa com mais experiência, o que não impede que futuramente não o chamemos, tem que aguardar, mas não deixe de fazer a sua vida por causa disto, pois não é uma garantia. Iremos colocar à experiência mais candidatos. Depois iremos decidir.
 
Eu: Claro. Eu vou receber os dois dias que estive aqui a trabalhar?
 
Diretor: Ah... Não. Quando alguém está à experiência não ganha qualquer vencimento. No entanto é mais uma experiência que pode juntar ao currículo.
 
Eu: Posso só me despedir dos meus colegas?
 
Diretor: Claro que sim! Ainda vai acabar o seu trabalho até às 5 e meia!
 
 
A minha vontade no momento foi levantar-me e, sem me despedir, pegava nas minhas coisas e saía porta fora. Mas eu sou uma pessoa que tem educação! Quer dizer, não ia receber nada pelo trabalho que fiz, mas tinha que o cumprir até ao termo do dia. Mas afinal estamos aonde?! Isto revoltou-me de tal forma que fui embora a chorar. Os meus recentes colegas ficaram todos cheios de pena por me ir embora. Ganhei a simpatia e o respeito por todos eles. Acho que só por isso até valeu a pena.
 
 
Conclusão: Estive dois dias a trabalhar para aquecer. Pelas leis que temos no nosso país não temos direito a qualquer vencimento quando estamos a fazer uma experiência. Gastei gasolina e outras despesas para nada.
Aspeto positivo: o meu currículo irá aumentar... será que isto é um aspeto positivo?
 

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