Tudo por... um livro!
Andei à caça do livro da Julia Navarro, literalmente, e vou explicar como. Preparados? É melhor irem buscar pipocas porque o relato que se segue é um autêntico filme de aventura e ação, que poderia bem ser chamado de: "À procura do livro perdido", ou então "A obsessão por um livro"... ou até se quiserem dar um pouco de suspense à coisa: "Eu sei o que fizeste a semana passada".
A biblioteca onde frequentemente vou buscar os meus livros, tem um exemplar da obra "Diz-me quem sou" da Julia Navarro, do qual só ouço falar bem. Ora tal curiosidade fez com que eu quisesse requisita-lo mas, para mal dos meus pecados, o mesmo encontrava-se emprestado.
Decidi esperar, eu que até nem sou uma pessoa muito paciente, pois não tinha outro remédio. O que é certo é que esperei durante um ano. Há um ano que este livro está emprestado e ainda não o devolveram! Realmente existem pessoas que não têm o mínimo de respeito por ninguém.
Pensei em tentar subornar a funcionária da biblioteca para que esta me dissesse a morada do leitor que detinha o livro, e assim fazer uma verdadeira caça ao homem, mas deduzi que tal atitude poderia trazer-me consequência graves e acabei por desistir. Desistir daquele livro, não de outros exemplares que pudesse encontrar, claro.
Liguei para todas as bibliotecas que conheço a perguntar se tinham o livro X, quase todas me disseram que não, excetuando uma, a última para a qual liguei. A conversa foi mais ou menos a seguinte:
«- Biblioteca Ferreira de Castro, bom dia.
- Bom dia. Estou a ligar para saber se têm disponível um livro que ando à procura...
- Diga-me qual é livro, por favor.
- Diz-me quem sou.
- Desculpe??
- O livro chama-se: Diz-me quem sou, da Julia Navarro.
- Só um momento... Ah, não não temos esse livro, temos outros da mesma escritora.
(Ora bolas!)
- Ah que pena. Andava mesmo à procura dele... Bem, paciência!
- Ah espere! Afinal temos esse livro sim!
(Estão a ver o Michael Jackson a dançar? A minha reação foi parecida).
- Ah que bom! Então hoje à tarde eu passo aí para ir busca-lo.
- Atenção que só podem requisitar livros da nossa biblioteca os cidadãos que residem no concelho de Oliveira de Azeméis ou então se trabalharem no mesmo concelho.
(O quê??!!)
- Não existe outra forma de contornar essa situação?
- Não. Lamento.»
Voltei à estaca zero. Não estava destinado a ter aquele livro nos próximos tempos, pensei. Resignei-me.
Contudo, entretanto, lembrei-me de um pormenor que fazia toda a diferença: a minha irmã trabalha no concelho de Oliveira de Azeméis! E se eu...
Peguei no carro e decidi ir busca-la ao trabalho, ela saía dali a 20 minutos. Mandei-lhe uma mensagem:
Vou buscar-te ao trabalho para irmos a um sítio. Até já querida irmã.
Reparem no final da mensagem, só utilizo o "querida irmã" quando me convém!
Cheguei ao local onde a minha irmã trabalha, saltei para o banco do passageiro pois não gosto muito de conduzir, e esperei uns intermináveis 5 minutos, até ela aparecer.
- Vamos à biblioteca de Oliveira de Azeméis buscar um livro - informei-a.
A minha irmã olhou para mim com cara de caso, como se eu tivesse batido com a cabeça em algum sítio ou, na pior das hipóteses, tivesse comido aqueles cereais fora do prazo que ainda estão no fundo do armário e que ninguém quer deitar fora.
- Despacha-te que a biblioteca fecha daqui a meia hora!
Consegui. Já o tenho há uma semana e estou a adorar! Prometo dar mais pormenores em breve.
